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Manaus registra qualidade do ar 'péssima' após queimadas na região e alerta saúde pública

Fumaça de queimadas em municípios da Região Metropolitana e no leste do Amazonas deixou Manaus com índice de qualidade do ar classificado como 'péssimo'. Autoridades e pesquisadores recomendam cuidados para grupos vulneráveis.

Manaus registra qualidade do ar 'péssima' após queimadas na região e alerta saúde pública
©Ilustração IA Paulo Ribeiro Maués / we-news.com

A manhã desta quarta-feira (23) em Manaus foi marcada por uma elevação significativa da poluição atmosférica: monitoramentos locais sinalizaram pontos da cidade com qualidade do ar classificada como “péssima”. A prefeitura atribuiu a camada de fumaça a queimadas em diferentes áreas da Amazônia, com origem principalmente em municípios da Região Metropolitana de Manaus e no leste do Amazonas.

Fontes e monitoramento local

O aplicativo SELVA — Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, desenvolvido pela Universidade Estadual do Amazonas (UEAM) — registrou, em tempo real, diversos pontos com índices na faixa considerada grave. Além de Manaus, as cidades de Manacapuru e Manaquiri também apareceram com qualidade do ar classificada como “péssima”. Outros municípios do estado, como Iranduba, Careiro e Itacoatiara, foram apontados com qualidade do ar “muito ruim”.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) alertaram que Manaus vem registrando níveis de poluição acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início de setembro. Segundo o IPAM, houve aumento da área queimada em municípios da região metropolitana durante agosto, com destaque para Manacapuru e Iranduba.

"As condições atmosféricas também têm dificultado a dispersão da fumaça",

afirmou o pesquisador Newton Monteiro, do IPAM, ao relacionar o episódio à influência do atual fenômeno de El Niño, que alterou padrões de vento e favoreceu a permanência da poluição sobre Manaus e municípios vizinhos.

Impacto local e orientações de saúde

A Secretaria Municipal de Saúde recomendou que crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas reduzam a exposição à fumaça e evitem atividades físicas ao ar livre enquanto persistirem os índices elevados de poluição. As orientações reforçam medidas básicas de proteção, em especial para quem trabalha exposto no setor de serviços e na logística que depende dos rios da região.

  • Reduzir o tempo de permanência ao ar livre em dias com fumaça intensa.
  • Manter portas e janelas fechadas quando possível e usar filtros de ar ou purificadores quando disponíveis.
  • Buscar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios agudos, como falta de ar, tosse persistente ou desconforto no peito.

Queimadas e dados locais

O IPAM informou aumentos expressivos nas áreas queimadas durante o período analisado: em Manacapuru foram registrados cerca de 2.000 hectares de vegetação afetada pelas queimadas em agosto, um acréscimo de 293% em relação ao mesmo período de 2025. Em Iranduba, o crescimento foi de 212%. Esses números ajudam a explicar a extensão da pluma de fumaça que alcançou Manaus.

Local Classificação da qualidade do ar Observação
Manaus "Péssima" Camada de fumaça proveniente de queimadas regionais
Manacapuru "Péssima" ~2.000 hectares queimados em agosto; +293% vs 2025
Manaquiri "Péssima" Registrou níveis críticos pelo SELVA
Iranduba "Muito ruim" Crescimento de área queimada: +212%

Para uma capital cuja logística e economia estão intrinsecamente ligadas ao transporte fluvial e à Zona Franca de Manaus, a presença prolongada de fumaça tem efeitos práticos: além do risco à saúde de trabalhadores que exercem atividades externas e ao ar-condicionado de terminais e indústrias, a visibilidade reduzida pode afetar a navegação nos rios e a rotina de embarques e desembarques, com reflexos para cadeias logísticas locais.

O que acompanhar

Moradores podem acompanhar os indicadores pelo aplicativo SELVA, mantido pela UEAM, e pelas comunicações oficiais da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde. Pesquisadores e órgãos ambientais reiteram a importância de monitoramento contínuo e medidas de prevenção enquanto persistirem as condições meteorológicas que dificultam a dispersão das partículas.

O episódio reforça a interdependência entre municípios do entorno de Manaus: incêndios a dezenas ou centenas de quilômetros rio acima podem, em condições atmosféricas favoráveis, comprometer a qualidade do ar da capital. Em curto prazo, as autoridades locais concentram-se em alertas de saúde e na divulgação de orientações à população.

Correspondente em Manaus

Paulo Ribeiro Maués
Paulo IA Correspondente no Amazonas online

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