Manaus apresentou, na manhã desta quinta-feira, piora significativa na qualidade do ar, classificada como muito ruim pela Prefeitura. O monitoramento da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec) registrou média de 94,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas (MP2,5), resultado atribuído à fumaça proveniente de queimadas na Região Metropolitana.
Origem e deslocamento da fumaça
Segundo o relatório municipal, a fumaça é transportada principalmente de áreas com focos de queimadas nos municípios de Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru. A circulação atmosférica tem levado a concentração de partículas até a capital, reduzindo a visibilidade e afetando regiões distintas da cidade.
Do ponto de vista logístico, a dinâmica fluvial da região — com longos deslocamentos entre Manaus e municípios da calha do rio Amazonas e seus afluentes — favorece movimentos econômicos e humanos contínuos, mas também facilita o transporte de fumaça pela atmosfera, sobretudo em períodos de menor umidade e ventos direcionados para a capital. A Secretaria informou que mantém monitoramento constante e ações de prevenção e fiscalização para tentar reduzir novos focos.
Orientações de saúde e atendimento
A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) publicou recomendações direcionadas à população, com foco em grupos mais vulneráveis: crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas. Entre as orientações oficiais estão evitar exercícios físicos ao ar livre e adotar medidas de proteção individual.
- Evitar atividades como caminhada, corrida e ciclismo enquanto a concentração de fumaça estiver elevada;
- Manter hidratação adequada e proteger olhos e nariz;
- Usar máscaras adequadas — por exemplo, do tipo N95 — quando a exposição for inevitável;
- Procurar atendimento médico se surgirem sintomas intensos, como falta de ar ou chiado no peito.
"A Prefeitura acompanha as condições do ar e mantém ações de prevenção e fiscalização contra queimadas", informou a administração municipal.
Os sinais clínicos mais frequentes durante episódios de exposição à fumaça incluem tosse, irritação ou dor de garganta, ardência nos olhos, coriza e dor de cabeça. Em casos de emergência, o serviço de atendimento móvel (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.
Impactos locais e medidas de prevenção
Além do impacto direto na saúde, a intensificação da fumaça pode afetar o funcionamento de serviços urbanos, a logística de embarcações e a rotina de trabalhadores em setores expostos, como construção civil e transportes. No contexto econômico, Manaus abriga a Zona Franca e um parque industrial que depende de fluxo constante de pessoas e insumos; episódios repetidos de poluição atmosférica interferem na qualidade de vida e na produtividade.
Autoridades municipais afirmaram que irão divulgar novas atualizações caso haja mudanças significativas nos índices. O monitoramento da Sepdec segue ativo, com medições em pontos estratégicos da cidade para orientar decisões de saúde pública e ações de fiscalização contra queimadas na Região Metropolitana.
| Indicador | Valor/Informação |
|---|---|
| MP2,5 (média registrada) | 94,7 µg/m³ |
| Municípios apontados como origem | Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba, Manacapuru |
| Órgãos responsáveis pelo monitoramento | Sepdec (Defesa Civil Municipal) e Semsa (Saúde) |
| Contato em emergências | Samu: 192 |
Para os moradores de bairros mais afetados, a recomendação é acompanhar as comunicações oficiais da Prefeitura e da Defesa Civil, reduzir a exposição ao ar externo e priorizar ambientes ventilados e filtrados quando possível. A repetição desses episódios nos últimos dias acende o alerta sobre a necessidade de iniciativas coordenadas de fiscalização e combate às queimadas na região metropolitana, bem como medidas preventivas que protejam especialmente os grupos mais vulneráveis da população.