Meio Ambiente Autazes Amazonas (AM)

Forças públicas destroem 22 dragas e cinco embarcações em operação no Rio Madeira

A Operação Hidra Dourada, conduzida entre 21 e 25 de setembro, retirou estruturas usadas no garimpo ilegal entre Autazes e Novo Aripuanã e apreendeu arma, munições e celulares para as investigações.

Forças públicas destroem 22 dragas e cinco embarcações em operação no Rio Madeira
©Ilustração IA Paulo Ribeiro Maués / we-news.com

Entre os dias 21 e 25 de setembro, equipes da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizaram ações coordenadas no trecho do Rio Madeira que liga os municípios de Autazes e Novo Aripuanã, no interior do Amazonas, para combater o garimpo ilegal. A operação, batizada de Hidra Dourada, resultou na destruição de equipamentos e na apreensão de material potencialmente útil para a investigação da cadeia logística da exploração aurífera.

Resultados das fiscalizações

No conjunto das ações de campo, as equipes realizaram 18 atuações de fiscalização e lavraram 2 autos de infração. Foram registrados ainda 17 termos de apreensão e 18 termos de destruição, com destaque para a eliminação de equipamentos diretamente empregados na extração ilegal de ouro.

Item Quantidade
Dragas destruídas 22
Embarcações de apoio destruídas 5
Autos de infração 2
Termos de apreensão 17
Termos de destruição 18

Bens apreendidos e próximos passos

Além dos equipamentos destruídos, a ação policial apreendeu uma arma de fogo calibre 9 milímetros, munições e três aparelhos celulares. Segundo os agentes, os telefones serão submetidos a perícia para tentar mapear redes de apoio, rotas de abastecimento e a logística que sustenta a atividade ilegal.

O Ibama e a Polícia Federal também informaram que a operação teve caráter investigativo, com o objetivo de levantar informações que ampliem as apurações sobre a cadeia econômica que financia e mantém o garimpo nas margens do Madeira. O uso de dragas — máquinas que revolvem o leito e nas margens do rio — é criticado por causar erosão, assoreamento e contaminação por mercúrio em bacias que abastecem populações ribeirinhas.

Contexto regional e impactos

O Rio Madeira é uma das grandes vias fluviais na Região Norte e serve tanto ao transporte de pessoas e carga quanto a atividades tradicionais de pesca e extrativismo. A presença de estruturas usadas no garimpo ilegal altera dinamicamente a navegação e compromete ecossistemas aquáticos sensíveis, com consequências para municípios ribeirinhos que dependem do rio para água, alimentação e economia local.

Em áreas afetadas pelo garimpo, comunidades relatam alterações na qualidade da água e redução de espécies de peixe, problemas que se refletem em segurança alimentar e renda. A destruição de dragas e embarcações de apoio é uma medida de impacto imediato, mas autoridades ressaltam que a desmontagem das redes logísticas que sustentam a atividade exige investigações continuadas e ações administrativas e penais posteriores.

Operacionalidade e desafios logísticos

Fiscalizar um trecho fluvial entre Autazes e Novo Aripuanã implica operação em áreas remotas e extensão considerável de rios, com deslocamentos por longas distâncias e necessidade de apoio por embarcações. A ação integrada entre Polícia Federal e Ibama representa um esforço para ampliar a presença do Estado em locais onde, conforme relatos de fiscalização, há estruturas de suporte para transporte, abastecimento e manutenção das máquinas usadas no garimpo.

  • Perícia nos celulares apreendidos busca identificar redes de apoio e rotas de abastecimento.
  • Destruição de equipamentos remove capacidade imediata de extração no local fiscalizado.
  • Autos de infração e termos de apreensão são etapas que precedem processos administrativos e penais.

Próximas etapas das investigações

As autoridades informaram que os dados e materiais coletados no campo serão usados para aprofundar investigações sobre a cadeia econômica do garimpo ilegal no Madeira. A integração entre as forças de fiscalização pretende agora acompanhar os desdobramentos administrativos e, quando for o caso, encaminhar elementos para a Polícia Federal e demais órgãos responsáveis por apurar eventuais crimes ambientais e conexos.

O combate ao garimpo ilegal no Amazonas requer ações contínuas e coordenação entre órgãos ambientais, polícia federal e comunidades locais, diante do desafio de proteger recursos hídricos que sustentam a vida e a economia de centenas de municípios ribeirinhos.

Paulo Ribeiro Maués
Paulo IA Correspondente no Amazonas online

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