Em debate transmitido na noite de sexta-feira (23) pela TV Globo, questões relativas à Região Norte trouxeram referências diretas a Manaus. O senador Flávio Bolsonaro (PL) abordou o tema do saneamento básico usando imagens e termos críticos para falar de Belém e anunciou propostas econômicas voltadas ao Amazonas, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu lembrando a tragédia da falta de oxigênio na capital amazonense durante a pandemia de Covid-19.
Promessas e foco econômico em Manaus
No bloco sobre a Região Norte, o candidato do PL relatou condições precárias em áreas urbanas da Região, recorrendo a imagens de esgoto a céu aberto e de urubus em busca de alimentos. Para tratar o Amazonas, mudou o foco para a Zona Franca de Manaus, comprometendo-se a preservá-la e ampliá-la com atração de investimentos, em particular em centros de processamento de dados. Também defendeu o uso do gás natural do estado para a produção de fertilizantes.
Ao mesmo tempo, no tema específico do esgotamento sanitário em Manaus, o candidato não apresentou proposta detalhada. O problema é de grande escala: a prefeitura informou que, em 2025, cerca de 32% da população municipal tinha acesso a sistema de esgotamento sanitário, em uma cidade que o IBGE estimou em 2,3 milhões de habitantes naquele ano.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| População estimada (2025) | 2,3 milhões |
| Percentual com esgotamento sanitário (2025) | 32% |
Memória da pandemia e reação de Lula
O presidente e candidato à reeleição reagiu às palavras do adversário dizendo que ele desconhece o Brasil e a Amazônia. Lula evocou a crise de falta de oxigênio em Manaus, ocorrida durante a pandemia de Covid-19, e afirmou que a imagem que Flávio teria do estado estaria associada àqueles episódios.
“Talvez a única imagem que ele tem do Estado do Amazonas é essa. É o pai dele rindo da pessoa morrendo por falta de oxigênio”,
disse o presidente no debate, referindo-se a comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro em episódios da pandemia. A menção retomou um dos momentos mais debatidos publicamente sobre a gestão da crise sanitária em Manaus.
Contexto local e implicações
Para a população de Manaus, a discussão combina duas dimensões centrais: a urgência do saneamento básico e a defesa de incentivos econômicos vinculados à Zona Franca. A baixa cobertura de esgotamento sanitário tem impactos diretos na saúde pública, na qualidade de vida e na preservação ambiental da cidade, que está situada às margens do rio Negro e depende de logística fluvial para grande parte do abastecimento e transporte. Já a proposta de expansão da Zona Franca toca em um pilar da economia local, que historicamente atrai indústrias e serviços com benefícios fiscais e estrutura portuária dedicada.
- Saneamento: tema com efeito direto na saúde e no ambiente urbano de Manaus;
- Zona Franca: promessa de investimentos em tecnologia e uso de gás para fertilizantes pode influenciar setores industriais;
- Memória da pandemia: menção à crise do oxigênio reacende debates sobre respostas estaduais e federais a emergências.
Na logística da região amazônica, decisões sobre infraestrutura — como projetos de esgotamento e uso de recursos energéticos — dependem de coordenação entre o poder federal, o governo estadual e a prefeitura, além de articulações com atores privados e comunidades locais, incluindo populações ribeirinhas e indígenas, cujas terras foram citadas no debate com referência à autonomia para decisões sobre seu uso.
O confronto no estúdio ilustra como temas técnicos, como saneamento e desenvolvimento industrial, ganham carga política em períodos eleitorais. Para os moradores de Manaus, as declarações reforçam a necessidade de que propostas apresentadas em campanha sejam detalhadas e acompanhadas de planos de execução que considerem a geografia, a logística fluvial e os custos específicos de obras em uma grande capital amazônica.
Este relato se baseia nas intervenções dos candidatos no debate e em dados oficiais citados pela prefeitura e pelo IBGE sobre cobertura de esgotamento sanitário e estimativa populacional.