O debate promovido pela TV Bandeirantes entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado no domingo (9), colocou em primeiro plano a situação do Banco de Brasília (BRB), tema central das cobranças direcionadas à atual governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP). A discussão ocorreu em meio à expectativa sobre quem herdará a gestão da instituição pública e a responsabilidade pela superação do problema financeiro.
Crise do BRB e o pedido de transparência
O BRB enfrenta a repercussão do chamado escândalo do Banco Master. Em função das operações com a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro, o banco público negociou um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para tentar cobrir o rombo decorrente dessas operações. No debate, adversários pressionaram por clareza sobre a dimensão do déficit e cobraram a divulgação de demonstrativos.
Uma das principais reclamações dos candidatos foi a ausência de balanços relativos a 2025 e ao primeiro semestre de 2026, documentos que, segundo opositores, são essenciais para medir o tamanho do problema e avaliar medidas de recuperação.
Posicionamentos no palco
Celina Leão afirmou que havia sido contrária à aquisição do Banco Master pelo BRB, operação articulada durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), quando ela ocupava a vice-governadoria. Durante o programa, a governadora buscou se resguardar quanto à responsabilidade direta pelas decisões daquele período.
"Como vice-governadora, a gente não consegue mudar a decisão do governo. [...] Eu não sou responsável pelos erros de Ibaneis"
Após o debate, Celina também defendeu a necessidade de garantias da União para viabilizar o empréstimo e afirmou que vinha atuando sozinha para tentar preservar o banco: "Estou sozinha tentando salvar um banco", disse à imprensa.
Reação dos concorrentes e interlocução com o governo federal
Os candidatos apoiados pelo presidente Lula — o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB), que atuou como interventor federal no DF após os ataques de 8 de janeiro — foram enfáticos ao cobrar transparência e responsabilização por parte dos gestores anteriores. Grass, em especial, afirmou que o pagamento do rombo deveria ser assumido por quem o provocou.
O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo) também participaram do debate, cada qual com críticas e propostas distintas, mas com convergência quanto à necessidade de esclarecer urgentemente a real situação financeira do banco público.
Implicações para o eleitorado de Brasília
O debate evidenciou que o futuro governador do Distrito Federal herdará não apenas a rotina administrativa do Palácio do Buriti, mas também a responsabilidade sobre um banco público cuja saúde financeira influencia crédito, serviços e projetos locais. A falta de balanços públicos e a negociação de um empréstimo robusto colocaram o tema no centro das preocupações dos eleitores, que aguardam medidas concretas de recuperação e garantias para a solvência da instituição.
- Principal tema: crise do BRB decorrente de operações com o Banco Master;
- Empréstimo em negociação: R$ 6,6 bilhões junto ao FGC;
- Cobrança por transparência: falta de balanços de 2025 e 1º semestre de 2026;
- Participantes do debate: Celina Leão, Leandro Grass, Ricardo Cappelli, José Roberto Arruda, Paula Belmonte e Kiko Caputo.
| Participante | Partido/Apoio |
|---|---|
| Celina Leão | PP (apoio de Flávio Bolsonaro/PL) |
| Leandro Grass | PT |
| Ricardo Cappelli | PSB (apoiado por Lula) |
| José Roberto Arruda | PSD |
| Paula Belmonte | PSDB |
| Kiko Caputo | Novo |
A capital federal assiste, assim, a um embate em que questões técnicas de contabilidade e gestão bancária se misturam a disputas políticas. A definição sobre o futuro do BRB — incluindo eventual aval da União, alternativas de capitalização e prestação de contas detalhada — deverá ser fator determinante na campanha e na agenda administrativa do próximo governo do Distrito Federal.