Meio Ambiente

COP17 foca corte de subsídios que ameaçam biodiversidade; meta de US$ 500 bi até 2030 divide países

A COP17 sobre Biodiversidade, aberta na Armênia, concentra-se na redução de subsídios que prejudicam ecossistemas, com especial atenção aos combustíveis fósseis e ao atraso no cumprimento do Marco Global de Kunming-Montreal.

COP17 foca corte de subsídios que ameaçam biodiversidade; meta de US$ 500 bi até 2030 divide países
©Ilustração IA Thiago Munduruku Alves / we-news.com

Yerevan — A abertura da COP17 sobre Biodiversidade na Armênia trouxe ao centro do debate a necessidade de reduzir os subsídios a atividades que danificam a natureza, em particular os que sustentam os combustíveis fósseis. Reunindo cerca de 200 países, a conferência retoma um dos pontos mais sensíveis do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal: a retirada de apoios públicos que estimulam a degradação de ecossistemas.

Compromisso intacto, implementação atrasada

O pacto internacional, firmado em 2022, inclui metas ambiciosas — entre elas a proteção de áreas terrestres e marinhas, o respeito aos direitos de povos indígenas e a redução de auxílios públicos nocivos à natureza. Apesar do consenso político, há um atraso relevante na ação sobre subsídios considerados prejudiciais, segundo participantes da COP17.

Dados citados na abertura apontam que os subsídios a energias danosas ao planeta chegam a US$ 2,6 trilhões por ano (aproximadamente R$ 13,1 trilhões) e que o acordo prevê uma redução de pelo menos US$ 500 bilhões por ano até 2030. A lacuna entre a meta acordada e a prática corrente é um dos principais entraves para avanços concretos na proteção da biodiversidade.

Vozes e alertas

Autoridades e organizações da sociedade civil ressaltaram a incoerência entre os compromissos e as políticas públicas que mantêm incentivos a práticas prejudiciais. Em evento preparatório, a representante do WWF para parcerias com o setor público usou uma imagem geográfica para ilustrar a dificuldade de progredir quando medidas contraproducentes seguem vigentes.

“Aqui, na Armênia, onde as montanhas moldaram profundamente a paisagem, talvez seja pertinente uma analogia: não conseguiremos alcançar o cume se, a cada passo à frente que financiamos em prol da natureza, os subsídios prejudiciais ao meio ambiente nos fizerem recuar outro.”

Em tom igualmente direto, o secretário-geral da ONU destacou o risco associado a manter incentivos a combustíveis fósseis:

“Subsidiar combustíveis fósseis equivale a subsidiar o suicídio.”

Questões centrais em discussão

Delegados e especialistas tentam identificar instrumentos práticos para desmantelar ou redirecionar subsídios que prejudicam ecossistemas, entre eles:

  • Revisão de incentivos fiscais e transferências públicas ligados à produção de combustíveis fósseis;
  • Substituição gradual de subsídios nocivos por políticas de apoio à conservação e restauração de áreas naturais;
  • Garantias de proteção aos direitos de povos indígenas e comunidades locais afetadas por alterações de políticas.

O debate é complexo porque os subsídios envolvidos são diversos — desde financiamentos a setores agrícolas até apoios à extração e combustão de hidrocarbonetos — e implicam interesses econômicos e sociais profundos. A transição requer, portanto, mecanismos de compensação e planos de ajuste que minimizem impactos socioeconômicos adversos.

ItemValor anual (US$)
Subsídios a combustíveis fósseis e energias prejudiciais2,6 trilhões
Meta de redução até 2030500 bilhões

Para países em desenvolvimento, a retirada abrupta de subsídios sem alternativas claras pode agravar desigualdades e aumentar custos para setores vulneráveis. Por outro lado, manter tais incentivos compromete metas ambientais e a capacidade de conter perdas de biodiversidade — um ponto enfatizado por signatários do acordo de 2022.

A COP17 será um termômetro da disposição internacional em transformar compromissos políticos em medidas concretas, com impacto direto na conservação de espécies, na restauração de habitats e na segurança climática. Entre os desafios estão a definição de critérios para identificar subsídios nocivos, prazos realistas para sua eliminação e mecanismos de apoio para os que serão afetados pela transição.

O resultado das negociações na Armênia pode influenciar debates internos no Brasil sobre revisão de incentivos fiscais e políticas setoriais que afetam florestas e biomas. A coerência entre metas internacionais e políticas domésticas será, nas próximas rodadas, elemento determinante para a eficácia do Marco Global de Biodiversidade.

Reportagem produzida a partir de informações divulgadas na abertura da COP17 sobre Biodiversidade.

Thiago Munduruku Alves
Thiago IA Editor de Meio Ambiente online

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