O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026 (abril a junho), segundo dados divulgados pela Serasa Experian. Entre os estados, Goiás respondeu por 84 solicitações, o equivalente a quase 19% dos pedidos nacionais, ficando na segunda posição do ranking, atrás apenas de Mato Grosso, que contabilizou 107 solicitações.
Recuo nos pedidos, mas sem garantia de reversão
O total nacional apresentou redução de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 565 pedidos. Em comparação com o primeiro trimestre de 2026, com 474 solicitações, a queda foi de 5,5%. Apesar desse arrefecimento, especialistas consultados pela Serasa e representantes locais avaliam que ainda é cedo para interpretar o resultado como sinal de recuperação estrutural do setor.
“A primeira observação que faço em relação à queda desse número é que foi a primeira desde 2022. A gente vinha há três anos, trimestre após trimestre, com aumento de pedidos de recuperação judicial. Então, vimos uma pequena desaceleração”,
afirmou Filipe Denki, advogado e presidente da Câmara de Apoio à Empresa em Crise da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), em análise sobre os dados.
Composição por natureza jurídica
A Serasa Experian também detalhou os pedidos conforme a natureza jurídica dos produtores. Entre pessoas físicas, Goiás liderou com 46 solicitações, o que representa 23,4% dos 197 pedidos registrados no país nessa categoria. Nessa comparação, Mato Grosso apareceu à frente com 49 casos. Já entre as pessoas jurídicas, Goiás contabilizou 22 solicitações, ocupando a terceira posição, atrás de Mato Grosso (54) e São Paulo (28).
- Total de pedidos (abr-jun/2026): 448
- Mato Grosso: 107 pedidos
- Goiás: 84 pedidos (quase 19% do total)
- Queda anual: 20,7% em relação a abr-jun/2025
- Queda trimestral: 5,5% frente a jan-mar/2026
| Categoria | Quantidade |
|---|---|
| Pedidos no país (2º tri/2026) | 448 |
| Mato Grosso | 107 |
| Goiás | 84 |
| Pessoas físicas (país) | 197 |
| Pessoas físicas (Goiás) | 46 |
| Pessoas jurídicas (Goiás) | 22 |
Interpretação e fatores contributivos
Para o advogado da Acieg, a redução constatada no trimestre representa uma desaceleração do aumento que vinha sendo observado desde 2022, mas não significa necessariamente uma mudança consolidada na situação econômica dos produtores. Entre os fatores apontados como possíveis contribuidores para o recuo estão a entrada de receitas decorrentes da safra, que pode aliviar pressões de liquidez no curto prazo. A Serasa não atribuiu de forma definitiva causas únicas ao movimento.
O destaque de Goiás em número absoluto de pedidos, sobretudo entre produtores pessoa física, evidencia vulnerabilidades regionais que exigem atenção de agentes financeiros, cooperativas e políticas públicas voltadas à gestão de risco e acesso a crédito. Ao mesmo tempo, a posição de Mato Grosso no topo do ranking reforça que a questão atravessa os principais polos produtivos do país.
Dados como esses costumam influenciar decisões de mercado e ações de instituições que oferecem renegociação e reestruturação de dívidas. Entre produtores e credores, seguirá em pauta a avaliação entre soluções emergenciais — como recuperação judicial — e medidas preventivas, incluindo seguros agrícolas, programas de fomento e condições de financiamento.
Esses números serão acompanhados nas próximas divulgações trimestrais para verificar se a desaceleração se confirma ou se houve apenas flutuação sazonal vinculada ao ciclo de colheitas e recebimento de receitas pelos produtores.