O candidato do Novo ao Governo do Distrito Federal, Kiko Caputo, é o concorrente com o maior patrimônio declarado entre os postulantes ao Palácio do Buriti, segundo levantamento realizado a partir das declarações de bens registradas na Justiça Eleitoral. Caputo informou patrimônio de R$ 47,3 milhões, número que o coloca à frente dos demais nomes na disputa.
Distribuição desigual entre candidatos e vices
Os dados compilados pelo Brasil de Fato DF apontam que, embora os dez candidatos a governador tenham declarado, juntos, R$ 62,24 milhões em bens, os vinte registros (governador e vice) somam R$ 161,94 milhões. Isso evidencia que a concentração de patrimônio é maior entre os candidatos a vice, que totalizam R$ 99,71 milhões.
A segunda maior declaração entre os candidatos ao GDF é da deputada federal Paula Belmonte (PSDB), com patrimônio declarado de R$ 10,8 milhões. Na sequência, aparecem valores muito inferiores, como os de Cappelli (PSB), com R$ 1,2 milhão, e de Professor Robson (PSTU), com R$ 900 mil.
Vices concentram grande parte dos recursos
A análise por chapa mostra que três vices concentram a maior fatia do total declarado entre os candidatos a vice:
- Gustavo Rocha (Republicanos), vice na chapa de Celina Leão (PP) — R$ 46,7 milhões;
- Luiz Pitiman (PSD), vice na chapa de José Roberto Arruda (PSD) — R$ 26,2 milhões;
- Juiz Everardo Ribeiro (PSDB), vice na chapa de Paula Belmonte (PSDB) — R$ 23,7 milhões.
Somados, esses três vices totalizam R$ 96,75 milhões, o equivalente a 97% do patrimônio declarado pelos dez vices mencionados no levantamento.
Tabela comparativa — maiores patrimônios declarados
| Candidato / Cargo | Partido | Patrimônio declarado (R$) |
|---|---|---|
| Kiko Caputo (candidato) | Novo | 47.300.000 |
| Paula Belmonte (candidata) | PSDB | 10.800.000 |
| Gustavo Rocha (vice) | Republicanos | 46.700.000 |
| Luiz Pitiman (vice) | PSD | 26.200.000 |
| Juiz Everardo Ribeiro (vice) | PSDB | 23.700.000 |
Panorama das demais declarações
Além dos nomes já citados, o levantamento lista outros patrimonios declarados pelos candidatos ao GDF: Cappelli (PSB) declarou R$ 1,2 milhão; Professor Robson (PSTU), R$ 900 mil; José Roberto Arruda (PSD), R$ 830 mil; Celina Leão (PP), R$ 440 mil; Leandro Grass (PT), R$ 285 mil; Elisson (Agir), R$ 251 mil; Professora Samara Mineiro (UP), R$ 69 mil; e Expedito Mendonça (PCO), R$ 5 mil.
Quando considerados os dois cargos de cada chapa, a concentração de recursos entre os vices é um dos pontos que mais se destaca no conjunto de registros apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Implicações para o eleitorado e o debate público
A disparidade entre o patrimônio declarado pelos candidatos e pelos vices levanta questões sobre representatividade e equilíbrio na disputa eleitoral. Para o eleitor, esses dados podem orientar o julgamento sobre as propostas apresentadas e sobre possíveis vantagens financeiras de campanha.
Especialistas em direito eleitoral costumam lembrar que a declaração de bens é uma obrigação legal e fornece apenas um retrato estático do patrimônio, não necessariamente explicando origem de recursos ou capacidade de financiamento. Ainda assim, a informação é relevante para a transparência e para o controle social do processo político.
Próximos passos
As declarações de bens são públicas e constam nos registros do TSE. Cidadãos interessados podem consultar os documentos oficiais para conferir detalhes e comparar as informações entre as chapas. À medida que a campanha avança, eventuais questionamentos sobre origem de bens e financiamento podem vir à tona, seja por meio de pedidos de esclarecimento, reportagens ou denúncias formais às autoridades competentes.
Em meio ao calendário eleitoral, o eleitor do Distrito Federal passa a dispor de dados objetivos que auxiliam na formação de opinião. A diferença de patrimônio entre candidatos e, sobretudo, a concentração entre vices, será um elemento do debate público nos próximos dias.