Em Santa Cruz, no concelho de Torres Vedras, regressa no próximo sábado a tradicional recriação etnográfica que evoca a antiga prática dos saloios de «ida à praia» antes das vindimas. A iniciativa recupera gestos, trajes e sabores ligados às comunidades rurais do território, mobilizando ranchos folclóricos locais e criando, durante um dia, um ponto de encontro entre memória e vivência comunitária.
Programa e percursos
O cortejo realiza‑se a partir das 10h00, com dois percursos distintos que convergem na Praia do Guincho, espaço escolhido para o almoço‑convívio e para a tradicional simbólica «ida ao banho». Cinco dos ranchos partem do Parque Municipal de Santa Cruz com destino ao Largo Jaime Batista da Costa, onde terão atuações programadas. Em paralelo, o Rancho Flores do Oeste inicia o seu trajeto na rotunda da Praia da Vigia, acompanhado por juntas de vacas e carroças com cavalos e burros, e segue pela Avenida do Atlântico até ao Guincho.
- Data: 15 de agosto
- Hora: a partir das 10h00
- Local de chegada: Praia do Guincho (almoço e atuações)
Ranchos participantes e elementos etnográficos
A edição deste ano volta a contar com a participação de ranchos considerados essenciais na preservação da memória local: o Rancho Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares de Campelos, o Rancho Folclórico e Etnográfico Os Camponeses do Varatojo, o Rancho Folclórico da Colaria, o Rancho Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares do Furadouro, o Rancho Folclórico e Etnográfico Danças e Cantares da Mugideira e o Rancho Folclórico e Etnográfico Flores do Oeste (A dos Cunhados).
| Ranchos | Ponto de partida |
|---|---|
| Danças e Cantares de Campelos | Parque Municipal de Santa Cruz |
| Os Camponeses do Varatojo | Parque Municipal de Santa Cruz |
| Rancho Folclórico da Colaria | Parque Municipal de Santa Cruz |
| Danças e Cantares do Furadouro | Parque Municipal de Santa Cruz |
| Danças e Cantares da Mugideira | Parque Municipal de Santa Cruz |
| Flores do Oeste (A dos Cunhados) | Rotunda da Praia da Vigia (segue pela Avenida do Atlântico) |
Além das atuações musicais e coreográficas, o cortejo integra elementos simbólicos — carroças, juntas de vacas, cavalos e burros — que reproduzem o cenário das idas coletivas à praia realizadas por trabalhadores rurais nas décadas passadas. A vivência comunitária inclui ainda a preparação da «boa mesa» e a partilha de pratos tradicionais da zona rural de Torres Vedras.
«A recriação mantém viva uma memória comunitária: a ida à praia era, antes das vindimas, uma pausa festiva que reunia núcleos familiares e vizinhanças»,
explica o programa do evento, que procura não só entreter como também sensibilizar para a preservação das práticas culturais locais. Para muitos moradores, o desfile é um momento de reencontro com tradições que, de outra forma, poderiam esmorecer face às transformações económicas e sociais do concelho.
Impacto local e expectativas
O cortejo de 15 de agosto atrai moradores e visitantes e tem impacto direto na dinâmica do comércio local em Santa Cruz e nas freguesias envolvidas. O almoço‑convívio na Praia do Guincho, com degustação de pratos típicos, é um dos momentos mais aguardados e uma oportunidade para a promoção dos produtos e saberes da região.
Organizadores e ranchos realçam a importância de manter estas recriações: para além de celebrarem uma identidade partilhada, servem como forma de transmissão intergeracional. A participação de jovens nos grupos folclóricos e nas atividades etnográficas é, aliás, um indicador do esforço de renovação dessa memória.
Com o regresso do cortejo, a expectativa é de um sábado de ocupação festiva das ruas de Santa Cruz e da costa que ilumina as práticas rurais com a vivacidade do litoral de Torres Vedras, reafirmando a ligação histórica entre campo e mar que moldou as comunidades saloias.