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Torres Vedras: família que mudou para a cidade vê filho colocado a mais de 40 km

Grupo de pais anuncia ação judicial contra o Estado após relatos de muitas famílias, entre as quais a de quem se mudou para Torres Vedras e ficou com o filho colocado numa escola em Camarate.

Torres Vedras: família que mudou para a cidade vê filho colocado a mais de 40 km
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Vários relatos recebidos por um grupo de encarregados de educação mostram que problemas na colocação de alunos afetaram famílias de norte a sul do país, incluindo uma que se mudou para Torres Vedras e viu o filho ser colocado numa escola em Camarate, a «mais de 40 quilómetros de casa», segundo o porta‑voz do movimento.

Grupo de pais prepara ação contra o Estado

O movimento «Não Somos Bonecos» anunciou na sexta‑feira passada que pretende levar o Ministério da Educação a tribunal por alegadas falhas no processo de colocação de alunos, numa altura em que as aulas já começaram e há crianças e jovens sem escola atribuída.

Desde o anúncio, o grupo diz ter recebido cerca de 50 mensagens de famílias de todo o país, «da região do Grande Porto para sul», com relatos que abrangem todos os níveis de ensino. Entre essas mensagens está o caso da família que se mudou de Camarate para Torres Vedras e cujo filho acabou colocado numa escola na zona de origem.

«O miúdo ficou colocado numa escola de Camarate, a mais de 40 quilómetros de casa», disse Rui Boavida, porta‑voz do grupo.

Impactos práticos e preocupação social

Os relatos recolhidos pelos pais apontam para vários tipos de problemas: desde alterações de ciclo e mudanças geográficas até à perda de vagas no pré‑escolar, incluindo crianças que estavam em programas como o Creche Feliz. O porta‑voz do movimento destacou ainda «muitos casos de miúdos no espetro do autismo», um sinal de preocupação relativamente às vagas e respostas educativas especializadas.

Para as famílias afetadas, as consequências são imediatas e práticas:

  • Aumento das distâncias diárias entre casa e escola, com custos e tempo de deslocação acrescidos;
  • Possível descontinuidade em percursos educativos já iniciados, no caso de mudanças de ciclo;
  • Exposição de crianças com necessidades educativas específicas a incertezas sobre a adequação da resposta escolar.

Dados e reação das entidades

Questionado pela Lusa, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) foi contactado para esclarecer quantos alunos continuam sem escola atribuída, mas ainda não tinha respondido até à publicação das informações a que este despacho teve acesso. Em reação, o MECI informou que os serviços estão a equacionar abrir novas turmas, reorganizar o espaço escolar ou aumentar o número de alunos por turma, com o objetivo declarado de garantir que «nenhum estudante fica sem vaga».

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) divulgou números preocupantes, citados pelo seu secretário‑geral, Francisco Gonçalves, apontando para mais de 744 alunos sem escola no concelho de Sintra e 550 na cidade de Lisboa. A Fenprof atribui parte do problema ao que descreve como o «desmantelamento do Ministério da Educação», referindo‑se à integração de serviços da Direção‑Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) na recém‑criada Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE).

FonteDado
Mensagens recebidas pelo grupo «Não Somos Bonecos»~50 famílias
Fenprof — concelho de Sintra744 alunos sem escola
Fenprof — Lisboa550 alunos sem escola

Testemunhos locais e questões por resolver

Em Torres Vedras, como em outros concelhos, a presença de relatos deste tipo levanta questões sobre a capacidade de resposta local face a fluxos migratórios internos e ao planeamento escolar anual. A deslocação de uma família de Camarate para Torres Vedras, com colocação do filho na escola de origem, coloca em evidência a fragilidade do processo de atribuição de vagas em casos de mudança de residência.

Os encarregados de educação procuram agora respostas claras: saber quantos alunos continuam sem colocação, que medidas concretas o MECI e as entidades locais de formações escolares vão adotar para reduzir distâncias e garantir a continuidade pedagógica, e em que prazos serão implementadas soluções como novas turmas ou reorganização de espaços.

Enquanto decorre a angariação de testemunhos e a preparação da ação judicial anunciada pelo grupo de pais, as famílias afectadas em Torres Vedras e noutras regiões permanecem em expectativa sobre quando e como os seus filhos serão integrados no sistema escolar público próximo dos seus domicílios.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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