Em reunião pública no final de agosto, a Câmara Municipal de Torres Vedras aprovou por unanimidade a contratação de dois empréstimos que lançam a primeira fase de uma intervenção municipal de grande escala centrada em saúde e habitação. O executivo deliberou a tomada de um empréstimo de 16 milhões de euros para arrancar a requalificação do antigo Hospital do Barro e outro de 2,7 milhões de euros para a aquisição de um terreno destinado à construção de 133 habitações.
Projecto do Campus da Saúde e financiamento
O empréstimo de 16 milhões de euros destina-se a financiar a primeira fase da requalificação do edifício hospitalar, que está devoluto desde 2013. Segundo os elementos aprovados pelo município, o projeto global do Campus da Saúde está avaliado em 60 milhões de euros, dos quais a autarquia prevê assegurar cerca de 17 milhões.
«a autarquia já tem garantidos dois milhões de euros de financiamento comunitário e espera obter mais fundos europeus; o projeto deverá contar também com financiamento privado, e estão previstos cerca de dois milhões de euros de apoio empresarial.»
O futuro Campus da Saúde ocupará cerca de 13 mil m² e prevê a criação de aproximadamente 400 postos de trabalho. A iniciativa deve integrar um Polo de Cuidados de Saúde com uma Unidade de Saúde Familiar Académica, uma unidade interdisciplinar nas áreas cardiovascular, osteo‑articular e neurociências, e um polo académico com centros de investigação clínica e tecnológica. Para desenvolver o projeto foi constituída a Associação Medicina ULisboa – Campus de Torres Vedras, fundada pela Câmara Municipal e pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
Habitação junto à Pousada de Santa Cruz
Na mesma reunião, o município aprovou o empréstimo de 2,7 milhões de euros para adquirir um terreno com 4,5 hectares próximo da Pousada de Santa Cruz. Está prevista a construção de 133 habitações nesse terreno, uma intervenção que surge num contexto de procura por resposta à necessidade de oferta residencial no concelho.
- Empréstimo para requalificação do Hospital do Barro: 16 M€
- Empréstimo para aquisição de terreno: 2,7 M€
- Valor estimado do projecto global do Campus da Saúde: 60 M€
- Área prevista do Campus: 13.000 m²
- Empregos estimados: c. 400
- Terreno para habitação: 4,5 hectares — 133 casas
| Item | Valor / Quantidade |
|---|---|
| Empréstimo para Campus da Saúde | 16.000.000 € |
| Empréstimo para terreno | 2.700.000 € |
| Orçamento global estimado | 60.000.000 € |
| Área do campus | 13.000 m² |
| Nº de habitações previstas | 133 |
O antigo Hospital do Barro pertenceu ao Ministério da Saúde até ser cedido ao Município de Torres Vedras em 2021 por via de um contrato de comodato com duração de 50 anos. Desde 2013 que o edifício se encontra devoluto, após a transferência dos serviços hospitalares que aí funcionavam.
Em termos financeiros, a autarquia já assegurou 2 milhões de euros de financiamento comunitário e aponta para a captação de mais fundos europeus, além do financiamento privado e de apoios empresariais estimados em cerca de 2 milhões de euros. A estratégia de misturar capitais públicos, comunitários e privados pretende acelerar a execução do projecto sem comprometer integralmente as contas municipais.
Para os moradores de Torres Vedras, o projeto conjuga duas prioridades sentidas localmente: a recuperação de um equipamento urbano devoluto e a resposta, ainda que parcial, à pressão sobre o mercado habitacional. A criação de postos de trabalho e a presença de um polo académico com investigação clínica prometem também dinamizar a economia local e reforçar a oferta de serviços de saúde na região.
Restam questões práticas por esclarecer, nomeadamente o calendário detalhado de execução das fases de requalificação, os prazos para a entrega das primeiras habitações e as condições urbanísticas finais. A Câmara Municipal terá de avançar com concursos públicos, projetos técnicos e a gestão das parcerias com instituições académicas e investidores privados para materializar o plano aprovado.
Na cidade, o anúncio foi acolhido com interesse: autarcas locais valorizam a aposta na saúde e na habitação, enquanto alguns moradores esperam que a reabilitação do Hospital do Barro e a construção junto à Pousada tragam efeitos concretos — emprego, serviços e oferta de habitação acessível — sem comprometer a qualidade de vida nos bairros vizinhos.