Em Torres Novas, a questão do transporte escolar de alunos provenientes do concelho do Entroncamento que frequentam estabelecimentos de ensino torrejanos subiu esta semana à ordem do dia na câmara municipal. O tema foi suscitada por um vereador independente e recebeu a concordância do presidente da Câmara, que admite tratar o assunto directamente com o município vizinho, no quadro da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
Uma realidade de dimensão significativa
Na última reunião pública da assembleia municipal, o vereador José Carola (eleito pelo Chega) alertou para situações em que crianças viajam de comboio desde o Entroncamento até Torres Novas e são acompanhadas no trajecto por irmãos mais velhos, situação que coloca questões de segurança e de responsabilidade entre autarquias. O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), classificou a preocupação como «pertinente» e admitiu procurar soluções em articulação com o presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha (Chega).
Os números citados pelo município sublinham a dimensão do fenómeno: dos 4.475 alunos matriculados este ano lectivo na rede pública torrejana, 644 residem fora do concelho. Só do Entroncamento são 432 estudantes, dos quais 353 frequentam o Agrupamento de Escolas Artur Gonçalves e 79 o Agrupamento de Escolas Gil Paes.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Total de alunos na rede pública de Torres Novas | 4.475 |
| Alunos que residem fora do concelho | 644 |
| Alunos oriundos do Entroncamento | 432 |
| Desses, no Agrupamento Artur Gonçalves | 353 |
| Desses, no Agrupamento Gil Paes | 79 |
Proposta de diálogo e possíveis soluções
O presidente da Câmara de Torres Novas vincou que a crescente presença de residentes de outros concelhos nas escolas locais já foi notada e que a matéria do transporte «pode ser colocada directamente» ao homólogo do Entroncamento. A intenção é discutir a questão no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, uma plataforma onde ambos os autarcas se deverão encontrar.
«Pertinente»
Segundo a explicação dada em sessão pública, uma das possibilidades em cima da mesa é a comparticipação de custos entre os dois municípios para assegurar viagens em condições de segurança. Não foram avançados, contudo, detalhes sobre valores, prazos ou modelos de execução, nem se a solução passará por adaptabilidade de horários, reforço de linhas de transporte ou subvenções directas às famílias.
Impacto local e implicações práticas
Para as famílias afetadas, a ausência de uma resposta coordenada pode significar rotinas complexas: viagens diárias, acompanhamento por irmãos mais velhos e dependência de serviços ferroviários e outros meios de transporte que exigem fiabilidade e segurança. A situação coloca ainda questões sobre custos para as famílias e sobre a responsabilidade territorial na garantia do acesso à escola, sobretudo quando as matrículas cruzam fronteiras administrativas.
- Mais de 400 alunos do Entroncamento deslocam‑se diariamente para Torres Novas;
- A Câmara de Torres Novas propõe discutir o tema com o Entroncamento e na CIM Médio Tejo;
- Uma das hipóteses é a comparticipação de custos entre os municípios, sem detalhes ainda definidos.
Na prática, a resolução exigirá negociação intermunicipal e definição de responsabilidades financeiras e operacionais. Os próximos passos anunciados passam por uma abordagem entre presidentes das câmaras e eventual discussão na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, onde poderão ser ponderadas fórmulas conjuntas. Até lá, pais, alunos e escolas permanecem à espera de medidas concretas que assegurem deslocações em segurança e sem encargos imprevistos.
Contactos com os serviços educativos dos dois municípios ou com a Comunidade Intermunicipal poderão clarificar calendário e opções; a câmara de Torres Novas, através do seu presidente, já se mostrou disponível para abrir esse diálogo.