Despejos junto aos ecopontos trazem à discussão fiscalização, saúde e contratos
O problema do abandono de monos junto às infraestruturas de recolha seletiva voltou a estar no centro das atenções em Tomar, numa reunião da Câmara Municipal onde se registou uma troca de palavras entre vereadores sobre as respostas que a autarquia dispõe para travar a prática.
O vereador José Delgado (PS) classificou a situação como «
vergonhosa» para o concelho, acrescentando preocupações relativas à presença de resíduos potencialmente perigosos, como amianto, misturados com os monos deixados à beira dos ecopontos. Delgado apelou a uma atuação mais enérgica por parte da Câmara, defendendo fiscalização reforçada e a aplicação de contraordenações aos responsáveis pelos despejos ilegais.
Do outro lado do hemiciclo, o vereador Samuel Fontes (Chega) manifestou concordância com as críticas e apontou medidas que considera necessárias para contrariar o fenómeno. Entre as propostas anunciadas figura a instalação de videovigilância em pontos sensíveis e a entrada em vigor de um novo contrato com a Ecoambiente, empresa responsável pela limpeza e recolha de monos, que, segundo o vereador, deverá melhorar a gestão e a resposta operacional do concelho.
Impactos locais e resposta municipal
O abandono recorrente de monos junto a ecopontos é um problema com efeitos imediatos na paisagem urbana, no uso do espaço público e na perceção de segurança e higienização por parte dos moradores. Além do incómodo visual e do aumento de custos de limpeza, a presença de materiais perigosos como o amianto eleva o risco para a saúde pública e impõe procedimentos de remoção especializados.
Na reunião não foram divulgadas, na íntegra, datas concretas para a instalação de videovigilância nem o âmbito exato do novo contrato com a Ecoambiente, mas as intervenções apontaram para um reforço das medidas operacionais e disciplinares. O debate reflecte, por um lado, a pressão de eleitos locais para respostas rápidas e, por outro, a necessidade de ponderar os mecanismos legais e técnicos para atuar em segurança quando há suspeita de resíduos perigosos.
- Problema identificado: despejo ilegal de monos junto a ecopontos;
- Causas apontadas: abandono intencional de resíduos volumosos e gestão insuficiente em pontos críticos;
- Propostas em discussão: videovigilância, fiscalização reforçada, aplicação de contraordenações e novo contrato com a Ecoambiente;
- Risco acrescido: presença eventual de amianto e necessidade de remoção especializada.
| Elemento | Situação |
|---|---|
| Fiscalização | Pedido de reforço por parte do PS |
| Videovigilância | Proposta pelo Chega como medida dissuasora |
| Contrato com Ecoambiente | Nova contratação em preparação, segundo vereadores |
Moradores de zonas onde regularmente se observam monos descartados contactados pela reportagem expressaram frustração com a repetição do problema e com a necessidade de aguardar recolhas extraordinárias. Em muitos casos, a solução implica custos adicionais para o município e, consequentemente, para os serviços públicos que debatem limitações orçamentais.
O debate municipal veio também sublinhar a complexidade das soluções: a instalação de câmaras pode servir de dissuasor, mas exige estudos de localização, enquadramento legal sobre privacidade e investimento; a aplicação de contraordenações carece de identificação dos infractores; e a gestão de resíduos perigosos obriga a procedimentos técnicos e operadores qualificados.
Próximos passos e expectativas
Até ao próximo período de reuniões, a expectativa entre vereadores e parte da população é que a execução do novo contrato com a Ecoambiente e a avaliação sobre a viabilidade da videovigilância avancem com celeridade. A comunidade aguarda, sobretudo, ações concretas que reduzam a frequência de depósitos irregulares e garantam a remoção segura de materiais perigosos quando necessários.
Enquanto isso, a autarquia terá de conciliar medidas dissuasoras e sancionatórias com operações de limpeza e campanhas de sensibilização, para reduzir os impactos ambientais e de saúde pública que o despejo ilegal de monos continua a provocar em Tomar.