Com cerca de três milhões de visitantes anuais nos monumentos sob a sua gestão, a Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) quer mudar o foco da ação: em vez de procurar aumentar o número de turistas, a intenção é melhorar a qualidade da experiência, incentivar estadias mais longas e aproximar os espaços históricos da comunidade local.
Monumentos como espaços de cultura e comunidade
Em declarações à comunicação social, o presidente do conselho de administração da PSML, João Sousa Rego, afirmou que «o objetivo não é aumentar o número de visitas, mas permitir que os turistas permaneçam mais tempo e levem uma experiência diferenciada». Para isso, a gestão tem apostado no reforço de conteúdos, na criação de circuitos e na promoção de eventos que liguem os monumentos à música e à população.
Como exemplo concreto, a PSML anunciou o regresso do ciclo «As noites de Queluz», composto por cinco concertos de música clássica no Palácio Nacional de Queluz, a realizar entre 8 e 30 de outubro. Estes ciclos são apresentados pela administração como recuperações de ofertas culturais prévias que se pretenderam reintroduzir no calendário da vila.
«Foram ciclos que já existiam e nós quisemos repor e voltar a dar a oportunidade de termos. Era algo que considerávamos que tinha sido uma perda de oferta», disse João Sousa Rego.
Gestão da procura e distribuição territorial
A PSML defende ainda a necessidade de qualificar a visita e reduzir os impactos do turismo massificado. Entre as medidas apontadas está a promoção de deslocações mais sustentáveis, incluindo a integração de transportes públicos em modalidades de bilheteira, e a distribuição mais equilibrada dos visitantes pelos diferentes equipamentos.
Segundo a administração, existem ainda locais com capacidade para receber mais visitantes — como o Palácio Nacional de Queluz, o Convento dos Capuchos e o Parque e Palácio de Monserrate — enquanto monumentos como o Palácio Nacional da Pena já enfrentam limitações de capacidade. A diversificação de conteúdos visa, portanto, criar motivos para que os visitantes se desloquem para outros pontos do concelho e permaneçam mais tempo.
- Reforço de conteúdos e novos circuitos de visita;
- Promoção de eventos culturais (música, festas locais, iniciativas abertas à população);
- Incentivo a transportes públicos e modalidades de bilheteira integradas;
- Distribuição da procura entre diferentes monumentos do território.
Adaptação climática e sustentabilidade
Para além da vertente cultural e de gestão de fluxos turísticos, a PSML anunciou a intenção de preparar os monumentos para os efeitos das alterações climáticas. A instituição refere a necessidade de reduzir impactos e de procurar soluções que aumentem a sustentabilidade das visitas, embora o anúncio público tenha sido genérico quanto às medidas técnicas concretas e ao calendário de implementação.
Esta estratégia surge num momento em que Sintra continua a enfrentar a tensão entre a elevada procura turística e a preservação do património e da qualidade de vida local. A aposta em colocar os monumentos «na vida da comunidade» — associando-os a festas locais e iniciativas culturais abertas — enquadra-se num esforço mais amplo de conciliar receção turística com utilização comunitária.
| Elemento | Objetivo identificado |
|---|---|
| Palácio Nacional da Pena | Limitações de capacidade |
| Palácio Nacional de Queluz | Margem para aumentar visitante e programar eventos |
| Convento dos Capuchos e Monserrate | Potencial para maior distribuição de visitantes |
Para os residentes de Sintra, a proposta da PSML pode significar um aumento de oportunidades culturais locais, mas também alterações na forma como o território é organizado em termos de transporte e gestão de visitantes. A intenção de integrar transportes públicos nas modalidades de bilheteira, por exemplo, poderá repercutir-se na oferta de ligações e na logística de acessos aos principais polos turísticos.
Na prática, a eficácia desta abordagem dependerá da calendarização das intervenções, dos investimentos destinados à adaptação climática e da colaboração entre a PSML, o Município de Sintra e outros parceiros regionais. A diversificação de conteúdos e a promoção de circuitos alternativos constituem, no entanto, um primeiro passo claro para tentar conciliar os interesses do turismo com os da comunidade local e da preservação do património.
Em breve, a programação e as medidas concretas deverão ser divulgadas em maior detalhe pela administração da PSML, permitindo avaliar em que medida as propostas se traduzirão em ações tangíveis para residentes, operadores turísticos e visitantes.