Movimento Pró Vitória formaliza reclamação e exige transparência na gestão do clube
O Movimento Pró Vitória entregou esta quarta-feira um requerimento dirigido ao presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Vitória Futebol Clube, num documento que pretende «dar completo conhecimento aos sócios da sua acção, no sentido da total transparência que os sócios do Vitória e o próprio Clube merecem», segundo a comunicação publicada pelos subscritores nas redes sociais.
O teor do requerimento surge na sequência de uma curta sequência de comunicados da direção do clube e da TAVFER, e ainda após a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária a 28 de julho, reunião em que, de acordo com os requerentes, «a soberania dos sócios deliberou expressamente pela suspensão/adiamento da votação da ratificação do referido contrato».
Os elementos do movimento explicam que a deliberação dos sócios decorreu da convicção de que o acordo em causa apresenta riscos significativos para o clube. A mesma instância, afirmam os requerentes, terá manifestado «vontade de eliminar determinadas cláusulas do contrato», posição que, segundo o Movimento Pró Vitória, não foi acatada pela Direção.
«A Direção do Clube declarou formalmente a intenção de manter o contrato de parceria exatamente nos moldes atuais»
Perante esta divergência, o requerimento acusa a Direção de prática de uma «clara ‘rebeldia institucional’», expressão utilizada pelos subscritores para caracterizar o desacordo entre a vontade manifestada na Assembleia e a postura formal da administração do clube.
Questões jurídicas e preocupação com influências externas
Para além da crítica política à direção, o documento contém argumentos de cariz jurídico-desportivo. O Movimento Pró Vitória aponta para uma suposta incompatibilidade de uma cláusula contratual – identificada como Cláusula 2.ª, ponto 13 – com normas imperativas do regime desportivo, alegando ainda que a sua redação «suscita manifesta incompatibilidade com as normas imperativas e de ordem pública desportiva».
Os subscritores alertam especificamente para o risco de colisão com regras da FIFA relativas à influência de terceiros sobre a autonomia dos clubes, numa alusão às normas que regulam a intervenção de entidades externas na gestão e decisão desportiva. O requerimento invoca, nomeadamente, o artigo 18.º-BIS do Regulamento do Estatuto e Transferência, integrando a argumentação numa tentativa de enquadrar a matéria em bastidores legais e regulamentares.
| Elemento | Reivindicação do Movimento |
|---|---|
| Assembleia Geral (28 jul) | Deliberação pela suspensão/adiamento da ratificação do contrato |
| Posição da Direção | Intenção de manter o contrato nos moldes atuais |
| Cláusula contestada | Cláusula 2.ª, ponto 13 — alegada incompatibilidade com regras desportivas |
Consequências para o clube e para os sócios
O requerimento do Movimento Pró Vitória procura, nas suas palavras, garantir «total transparência» aos sócios e ao clube. A contestação interessa não só os associados diretamente implicados na votação do contrato, mas também a comunidade desportiva de Setúbal, que acompanha com atenção decisões que podem afetar a autonomia do Vitória FC e a configuração do seu projeto desportivo.
- O movimento reclama que a vontade expressa pela Assembleia Geral não está a ser respeitada pela Direção;
- Denuncia possível conflito entre o contrato e normas FIFA sobre intervenção de terceiros;
- Solicita ao Conselho Fiscal e Disciplinar uma intervenção clarificadora e de salvaguarda dos interesses do clube e dos sócios.
A publicação do texto pelos promotores do requerimento nas redes sociais sugere uma tentativa de envolver a base associativa e a opinião pública local no debate, pressionando para uma posição formal dos órgãos fiscalizadores do clube. Até ao momento, o conteúdo parcial do comunicado da Direção e da TAVFER foi referido como motivo do protesto, mas não constam do requerimento indicações de que tenha sido já obtida resposta do Conselho Fiscal e Disciplinar.
A situação mantém, assim, um aspeto de tensão institucional que pode ter reflexos nas próximas decisões internas do Vitória FC e que deve ser acompanhada por sócios e adeptos. Para muitos em Setúbal, o clube continua a ser um espaço de pertença coletiva e as disputas sobre o seu futuro revertem diretamente para a vida associativa e comunitária da cidade.
Continuaremos a acompanhar a evolução deste processo e a divulgar eventuais respostas formais dos órgãos do clube ou novas iniciativas por parte dos sócios.