Operações de busca e zona de exercícios militares
Passaram-se cinco dias desde o naufrágio da embarcação artesanal Gonçalo Festas ao largo de Sesimbra e ainda não há sinais do pescador de nacionalidade indonésia que permanece desaparecido. As autoridades marítimas mantêm operações de vigilância e, paralelamente, a presença de forças da NATO na área — por motivo de exercícios com drones — levou à coordenação entre a Polícia Marítima e aliados internacionais para que estejam atentos a qualquer indício da presença do homem no mar.
O que se sabe do acidente
O sinistro ocorreu numa manhã de pesca de tamboril e peixe-galo, a cerca de sete milhas náuticas da costa de Sesimbra. A embarcação seguia com sete tripulantes — cinco de nacionalidade indonésia e dois portugueses — que ficaram à deriva após a viragem brusca da embarcação, relatada pelos que sobreviveram à ocorrência. Três deles foram imediatamente resgatados, e no total seis tripulantes foram recuperados com vida por uma embarcação de pesca que passava no local.
- Tripulantes a bordo: 7 (5 indonésios, 2 portugueses)
- Resgatados com vida: 6
- Desaparecido: 1 pescador, nacionalidade indonésia
- Local do naufrágio: aprox. 7 milhas de Sesimbra
- Profundidade do casco localizado: 126 metros
Estado da embarcação e complicações nas operações
Um robô operativo da Polícia Marítima localizou o casco da embarcação a uma profundidade de 126 metros. Perante esta profundidade, a recuperação do barco e eventuais esforços de reflutuação foram considerados praticamente inviáveis pelas autoridades. O comandante da Polícia Marítima de Setúbal, Serrano Augusto, explicou a avaliação técnica das equipas sobre o local e a condição do barco.
«A profundidade a que está torna praticamente impossível a sua reflutuação e não há indícios que apontem para que o pescador esteja no interior, já que todos os pescadores que foram resgatados indicaram que este estava no exterior quando a embarcação naufragou»
Segundo os relatos recolhidos pelos serviços de busca, durante o episódio a embarcação terá virado subitamente enquanto a tripulação procedia à recolha das redes, num momento em que se preparavam para prosseguir a atividade noutro local. As balsas salva-vidas e o emissor de posicionamento EPIRB, que deveriam ativar-se automaticamente em situações de naufrágio, não o fizeram, o que só permitiu o resgate das seis pessoas horas mais tarde por outra embarcação de passagem.
Impacto local e medidas em curso
Na comunidade piscatória de Sesimbra, o acidente está a reverberar entre armadores e tripulações que operam nas mesmas artes. Ainda que as operações de busca tenham sido intensas desde o primeiro momento, a localização do casco a grande profundidade limita as opções de intervenção. As equipas da Polícia Marítima continuarão a monitorizar a área e a coordenar ações com todos os meios disponíveis, incluindo a troca de informação com as forças que realizam exercícios na zona.
As autoridades referem que a embarcação poderá ficar no fundo do mar e vir a desempenhar uma função de abrigo para espécies bentónicas, além de ser objecto de cartografia para registo do local do naufrágio no leito marinho.
Dados resumidos
| Item | Valor |
|---|---|
| Tripulantes a bordo | 7 |
| Resgatados | 6 |
| Desaparecido | 1 (indonésio) |
| Profundidade do casco | 126 metros |
| Distância da costa | ~7 milhas náuticas |
Enquanto correm as buscas e se ponderam as limitações técnicas à reflutuação, a atenção mantém-se na possibilidade de avistamentos ou sinais que indiquem o paradeiro do pescador desaparecido. A articulação entre Polícia Marítima, autoridades locais e meios estrangeiros presentes na área é, por enquanto, a arma principal das operações de vigilância marítima ao largo de Sesimbra.
As famílias dos tripulantes e a comunidade local aguardam mais informações e qualquer desenvolvimento que possa esclarecer as circunstâncias do naufrágio e o destino do homem que falta regressar ao porto.