Na noite de 20 de setembro, o Fórum Cultural do Seixal e o edifício da Assembleia Municipal serão iluminados a roxo no âmbito da campanha nacional de sensibilização para os cancros ginecológicos, que assinala o Dia Mundial dos Cancros Ginecológicos e integra as iniciativas do Setembro Roxo. A ação, promovida pela Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico, procura trazer para o espaço público uma discussão que, na opinião da organização, continua muitas vezes silenciada.
Visibilidade e combate ao estigma
A iluminação de edifícios públicos pretende «sinalizar» e abrir um espaço de conversa sobre doenças que afectam ovário, endométrio, colo do útero, vagina e vulva, com especial destaque para o cancro do ovário, considerado um dos mais «silenciosos» pela dificuldade em distinguir sintomas de queixas habituais do quotidiano. Além de Seixal, participam na iniciativa outros concelhos, como Almada — onde os Paços do Concelho serão iluminados — e Grândola, que vai vestir de roxo o Coreto e uma peça escultórica do artista Vhils.
Para a MOG, a campanha «Apoio, em vez de Estigma» («Support Not Stigma»), promovida a nível europeu pela ESGO ENGAGe — Rede Europeia de Grupos de Defesa dos Cancros Ginecológicos —, pretende ir para além da mera sensibilização e defender a criação de sistemas de apoio eficazes para as mulheres afetadas.
«A saúde feminina nunca teve a prioridade que merece», afirma Cláudia Fraga, presidente da MOG, acrescentando que o estigma associado aos sistemas reprodutivos pode levar mulheres a ignorar ou esconder sinais e sintomas.
Dados e tendências citadas pela campanha
Segundo os números divulgados pela organização, com base em dados do Globocan, os cancros ginecológicos representam cerca de um milhão de novos diagnósticos por ano a nível mundial. As projeções referidas apontam para que esse valor possa ultrapassar os dois milhões até 2050, com aumentos diferenciados consoante o tipo de tumor.
| Tipo de cancro | Aumento projetado até 2050 |
|---|---|
| Cancro do endométrio | ~38% |
| Tumores da vagina | ~77% |
O que se pretende em Seixal
Além do efeito simbólico da iluminação, a campanha ambiciona fomentar informação sobre sintomas, rotas de acesso a cuidados e redes de apoio. No terreno, iniciativas deste tipo costumam incluir material informativo e convites a consultas de rastreio ou avaliação quando apropriado, embora a MOG destaque sobretudo a necessidade de sistemas de apoio para seguir do diagnóstico ao tratamento.
- Data da ação em Seixal: 20 de setembro (Dia Mundial dos Cancros Ginecológicos).
- Locais iluminados no concelho: Fórum Cultural do Seixal e o edifício da Assembleia Municipal.
- Entidade promotora: Associação MOG – Movimento Oncológico Ginecológico, integrada na ESGO ENGAGe.
No contacto com moradores junto ao Fórum Cultural, houve quem salientasse que iniciativas visuais contribuem para trazer assuntos «de volta à conversa» entre famílias e vizinhos. Já profissionais de saúde local contactados por este jornal sublinham que, apesar da visibilidade, o principal desafio mantém‑se no encurtamento dos atrasos no diagnóstico e na garantia de apoio psicossocial e logístico às doentes.
O preço da visibilidade é, segundo responsáveis associativos, uma oportunidade para converter atenção pública em políticas e respostas concretas. A MOG e parceiros europeus apelam a que a iluminação seja apenas o ponto de partida para programas sustentados de sensibilização, rastreio e acompanhamento.
Em Seixal, a iluminação do Fórum Cultural e da Assembleia Municipal será assim um gesto de mobilização simbólica que se insere numa campanha com ambições nacionais e europeias, e que pretende, nas palavras da organização, «trocar o silêncio e o estigma por apoio e informação».