Investigação em curso após intimidação com tiros e gravações
Em Santarém, a Polícia Civil prossegue a investigação sobre um ataque dirigido ao carro da advogada Regiane Furtado Lisboa e as subsequentes ameaças de morte que a profissional passou a receber por mensagens de voz. O veículo foi atingido por disparos na segunda-feira, dia 10, segundo informações oficiais recolhidas pela autoridade policial.
Além do dano material, as ameaças chegaram por meio de áudios enviados por uma aplicação de mensagens. Nas gravações entregues para análise pericial, o autor afirma que o tiro contra o automóvel seria apenas um aviso e que o próximo disparo seria contra a própria advogada. A natureza intimidatória das mensagens conduziu à instauração de inquérito policial.
Perícias, imagens e linha de investigação
O automóvel foi submetido a perícias papiloscópicas e balísticas pela Polícia Científica, segundo a Polícia Civil. Paralelamente, o Núcleo de Apoio à Investigação (NAI) analisa imagens de câmaras de segurança no entorno do local onde o carro foi alvejado, na tentativa de identificar os autores e a sequência de factos.
- Data do ataque: 10 de agosto (conforme comunicação policial).
- Medidas adotadas: instauração de inquérito, perícias papiloscópicas e balísticas, análise de imagens de videovigilância.
- Entidades envolvidas: Polícia Civil, Polícia Científica e NAI; Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha o caso.
Fonte policial adianta que, até ao momento, «nenhuma hipótese sobre a motivação do crime foi descartada», incluindo a hipótese de relação com a actividade profissional da advogada em processos na região. As autoridades também informaram que a divulgação de detalhes sobre suspeitos tem sido reservada por razões estratégicas, para não prejudicar o desenvolvimento das investigações.
«A advocacia não pode exercer sua missão sob ameaça ou intimidação. Quem ameaça um advogado ou uma advogada, ameaça toda a advocacia e atinge o próprio direito de defesa da sociedade.»
A declaração é parte do posicionamento divulgado pela OAB-PA, que afirmou que a Seccional e a Subseção de Santarém acompanham o caso de perto, prestam apoio institucional à colega e exigem investigação rigorosa e medidas para garantir a sua segurança.
Contexto local e repercussão
O episódio ocorre num contexto de crescente preocupação com a violência em Santarém ao longo de 2026. Registros anteriores na cidade incluem episódios de violência de género, com quatro feminicídios reportados este ano, três dos quais num intervalo inferior a 20 dias em julho, facto que suscitou comoção e apelos por medidas mais eficazes de prevenção e proteção.
Moradores e operadores do foro ouvidos em Santarém sublinham a inquietação gerada por ataques dirigidos a profissionais do direito, cuja actividade, dizem, exige condições de segurança que preservem a livre prestação do direito de defesa. A OAB tem reiterado que a proteção de advogados e advogadas integra a defesa do próprio sistema de justiça.
| Elemento | Estado |
|---|---|
| Vítima | Regiane Furtado Lisboa (advogada, com inscrição regular na OAB) |
| Data do ataque | 10 de agosto |
| Medidas policiais | Inquérito, perícias papiloscópicas e balísticas, análise de imagens pelo NAI |
As autoridades solicitam a quem possua imagens ou informações relevantes que as apresente às autoridades competentes, de forma a contribuir para a identificação dos responsáveis. Por ora, a investigação segue em curso e a Procuradoria da Polícia Civil mantém reservado o teor de diligências para não comprometer os resultados.
Na cidade, o caso tem sido acompanhado de perto por colegas da Ordem dos Advogados e por cidadãos que reclamam por respostas céleres, tanto para a responsabilização de eventuais autores como para a adopção de medidas de protecção aos profissionais do direito e à população em geral.