Um festival que junta memória, economia e sabores do Ribatejo
O Jardim das Portas do Sol, em Santarém, volta a transformar‑se numa montra da cultura ribatejana nos dias 25 e 26 de setembro, com a segunda edição do Festival Raízes Vivas – Festa da Ruralidade, Costumes e Tradições. Depois da estreia em 2025, a organização decidiu alargar o evento para dois dias e anuncia a expectativa de receber mais de 4 000 visitantes e reunir mais de 120 produtores, artesãos, agricultores, chefs, músicos e agentes do território.
Apresentado oficialmente a 31 de agosto, em Santarém, o festival quer assumir‑se não apenas como uma celebração etnográfica, mas também como uma aposta estratégica de promoção económica e de sustentabilidade do território. Estiveram presentes na apresentação o presidente da Câmara Municipal de Santarém, João Teixeira Leite, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Manuel Santos, e o chef escalabitano e curador do evento, Rodrigo Castelo.
«Um povo sem memória é um povo sem futuro»
Foi com esta máxima que Rodrigo Castelo explicou a génese do festival e o seu propósito: não preservar a cultura apenas como peça de museu, mas criar condições para que continue a existir, evoluir e gerar economia local. A ideia central é ligar tradição e contemporaneidade, atraindo públicos diversos e criando mecanismos de valorização dos saberes e produtos locais.
Gastronomia, ofícios tradicionais e economia local
O recinto será organizado em vários polos temáticos, destacando‑se o Jardim da Gastronomia, onde chefs convidados e associações locais irão cozinhar ao vivo com produtos ribatejanos. A gastronomia é entendida como instrumento de narrativa territorial: servir, mostrar e valorizar produtos autóctones, raças locais e técnicas tradicionais, com atenção à sustentabilidade e ao combate ao desperdício alimentar.
- Datas: 25 e 26 de setembro
- Local: Jardim das Portas do Sol, Santarém
- Expectativa de público: mais de 4 000 visitantes
- Expositores: mais de 120 produtores, artesãos e agentes do território
Além da gastronomia, o programa integra música, demonstrações de ofícios tradicionais, ações de promoção das raças autóctones e iniciativas de sensibilização ambiental ligadas à biodiversidade e à agricultura sustentável. Segundo a organização, o objetivo passa por dar visibilidade aos produtores locais, criar circuitos comerciais e reforçar a atratividade turística da região.
Impacto local e desafios
Para Santarém, eventos desta natureza têm dupla importância: cultural e económica. Por um lado, ajudam a consolidar uma identidade regional reconhecível; por outro, promovem a economia local através da exposição direta de produtores e do estímulo ao consumo de produtos regionais. A aposta em dois dias e na centralidade do Jardim das Portas do Sol indica a intenção de aumentar circulação de público no centro histórico e dinamizar o comércio local.
Contudo, a tradução efetiva destes objetivos em ganhos duradouros depende de ações complementares: a criação de canais permanentes de comercialização para os pequenos produtores, a articulação com a oferta turística regional e o desenvolvimento de iniciativas educativas que prolonguem a ligação entre as gerações. Estas preocupações foram subjacentes às declarações dos responsáveis presentes na apresentação, que defenderam uma estratégia integrada para fazer da cultura um motor de desenvolvimento.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Datas | 25–26 de setembro |
| Local | Jardim das Portas do Sol, Santarém |
| Expositores | Mais de 120 |
| Expectativa de visitantes | Mais de 4 000 |
Na perspetiva de quem vive a cidade, a inauguração de iniciativas culturais com esta escala é vista com otimismo. Comerciantes e agentes culturais contactados nas imediações do Jardim das Portas do Sol consideram que a presença de público traz «vida» ao centro histórico e pode abrir oportunidades de negócio que ultrapassam os dois dias do evento. A reflexão agora passa por transformar um espetáculo anual em ganhos permanentes para as comunidades rurais e urbanas do Ribatejo.
O Raízes Vivas promete, assim, transformar Santarém num palco onde memória, sabores e inovação se cruzam. Resta saber se a ambição declarada na apresentação se reflectirá em estratégias de continuidade que reforcem, na prática, a economia e a identidade ribatejana.