O Partido Socialista dos Açores alertou esta terça‑feira para a «tendência» de queda no número de passageiros desembarcados nos aeroportos regionais, um fenómeno que, segundo o líder do PS/Açores, Francisco César, poderá ter consequências económicas e sociais para o arquipélago caso não seja travado com uma política de turismo e transporte aéreo coordenada.
Dados e preocupação
Segundo o Serviço Regional de Estatística, em julho de 2026 desembarcaram nos aeroportos açorianos 296.064 passageiros, um decréscimo de 4,3% face ao período homólogo. Trata‑se do sétimo mês consecutivo de queda no movimento de passageiros, sinalizando, na opinião da oposição, mais do que uma oscilação pontual.
Francisco César sublinhou a necessidade de uma política de turismo «sustentável, planeada com antecedência e articulada com uma estratégia de transportes aéreos que assegure ligações regulares, preços competitivos e estabilidade ao longo de todo o ano».
«Precisamos de promover todas as ilhas», defendeu o líder do PS/Açores numa publicação na sua página de Facebook.
Riscos para a economia insular
Para o PS, a persistência da quebra no fluxo de passageiros pode traduzir‑se em menos emprego, redução de rendimentos das famílias e perda de rentabilidade dos investimentos realizados no sector turístico. Estes receios surgem no contexto de investimentos privados em alojamento, serviços e infraestruturas que dependem da estabilidade da procura.
O líder da oposição acusou o Governo Regional (PSD/CDS‑PP/PPM) de deixar os empresários «sem resposta e entregues a si próprios», depois de terem investido e expandido capacidade, criando postos de trabalho.
Propostas do PS
O PS/Açores tem vindo a propor medidas concretas para contrariar a tendência observada. Entre as ideias apresentadas constam:
- Criação de um fundo de captação de rotas aéreas para atrair e sustentar ligações regulares;
- Reforço da promoção externa da região, com campanhas que valorizem todas as ilhas;
- Reorganização dos organismos de promoção turística, com objectivos claros e estabilidade de gestão.
O partido considera ainda que é urgente repensar a política de acessibilidades aéreas, nomeadamente no que toca a incentivos e coordenação entre esforços públicos e privados para manter rotas rentáveis e assegurar frequências que favoreçam o turismo todo o ano, minimizando a sazonalidade que agrava a fragilidade económica das ilhas.
Responsabilidade política e respostas
O PS aponta para uma «Secretaria Regional do Turismo desorientada» e para a Visit Azores como entidades que carecem de «estabilidade» e de planeamento adequado. Francisco César frisou que não bastam discursos optimistas e que os números «não desaparecem por serem inconvenientes».
O debate coloca em evidência a particularidade arquipelágica: a economia das ilhas depende de ligações aéreas fiáveis e de custos de acesso compatíveis com a sustentabilidade das operadoras e a acessibilidade dos visitantes. Qualquer redução prolongada no fluxo de passageiros tem repercussões em cadeia nas microeconomias locais, afectando transportes internos, restauração, alojamento e serviços auxiliares.
Impacto local e pontos a considerar
Na prática, a queda de visitantes pode traduzir‑se em:
- Menos reservas em alojamentos e menor ocupação;
- Redução de rendimentos em sectores dependentes do turismo;
- Dificuldades na manutenção de rotinas de serviço em transportes e excursões interilhas;
- Riscos para o emprego sazonal e permanente no sector.
| Indicador | Valor (julho 2026) |
|---|---|
| Passageiros desembarcados | 296.064 |
| Variação anual | -4,3% |
| Período | Sétimo mês consecutivo de queda |
Sem uma estratégia concertada que envolva Governo Regional, operadores aéreos, agentes turísticos e municipais, e sem instrumentos financeiros ou promocionais adaptados às realidades insulares, a tendência poderá agravar‑se, realçam os socialistas.
O tema promete manter‑se no centro do debate regional nas próximas semanas, enquanto empresários e responsáveis políticos procuram respostas que alinhem a melhoria das acessibilidades com a sustentabilidade das comunidades insulares e a valorização do espaço natural e cultural dos Açores.
Reportagem local, observando a insularidade e a ligação indispensável ao mar e ao céu que condicionam a vida quotidiana das ilhas.