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PS/Açores alerta para queda do turismo e exige ligações aéreas regulares e preços competitivos

O PS/Açores considera que a redução de passageiros nos aeroportos — sete meses de queda consecutiva — pode traduzir‑se em perda de emprego e rendimentos, e pede uma estratégia articulada de turismo e transportes aéreos.

PS/Açores alerta para queda do turismo e exige ligações aéreas regulares e preços competitivos
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Partido Socialista dos Açores alertou esta terça‑feira para a «tendência» de queda no número de passageiros desembarcados nos aeroportos regionais, um fenómeno que, segundo o líder do PS/Açores, Francisco César, poderá ter consequências económicas e sociais para o arquipélago caso não seja travado com uma política de turismo e transporte aéreo coordenada.

Dados e preocupação

Segundo o Serviço Regional de Estatística, em julho de 2026 desembarcaram nos aeroportos açorianos 296.064 passageiros, um decréscimo de 4,3% face ao período homólogo. Trata‑se do sétimo mês consecutivo de queda no movimento de passageiros, sinalizando, na opinião da oposição, mais do que uma oscilação pontual.

Francisco César sublinhou a necessidade de uma política de turismo «sustentável, planeada com antecedência e articulada com uma estratégia de transportes aéreos que assegure ligações regulares, preços competitivos e estabilidade ao longo de todo o ano».

«Precisamos de promover todas as ilhas», defendeu o líder do PS/Açores numa publicação na sua página de Facebook.

Riscos para a economia insular

Para o PS, a persistência da quebra no fluxo de passageiros pode traduzir‑se em menos emprego, redução de rendimentos das famílias e perda de rentabilidade dos investimentos realizados no sector turístico. Estes receios surgem no contexto de investimentos privados em alojamento, serviços e infraestruturas que dependem da estabilidade da procura.

O líder da oposição acusou o Governo Regional (PSD/CDS‑PP/PPM) de deixar os empresários «sem resposta e entregues a si próprios», depois de terem investido e expandido capacidade, criando postos de trabalho.

Propostas do PS

O PS/Açores tem vindo a propor medidas concretas para contrariar a tendência observada. Entre as ideias apresentadas constam:

  • Criação de um fundo de captação de rotas aéreas para atrair e sustentar ligações regulares;
  • Reforço da promoção externa da região, com campanhas que valorizem todas as ilhas;
  • Reorganização dos organismos de promoção turística, com objectivos claros e estabilidade de gestão.

O partido considera ainda que é urgente repensar a política de acessibilidades aéreas, nomeadamente no que toca a incentivos e coordenação entre esforços públicos e privados para manter rotas rentáveis e assegurar frequências que favoreçam o turismo todo o ano, minimizando a sazonalidade que agrava a fragilidade económica das ilhas.

Responsabilidade política e respostas

O PS aponta para uma «Secretaria Regional do Turismo desorientada» e para a Visit Azores como entidades que carecem de «estabilidade» e de planeamento adequado. Francisco César frisou que não bastam discursos optimistas e que os números «não desaparecem por serem inconvenientes».

O debate coloca em evidência a particularidade arquipelágica: a economia das ilhas depende de ligações aéreas fiáveis e de custos de acesso compatíveis com a sustentabilidade das operadoras e a acessibilidade dos visitantes. Qualquer redução prolongada no fluxo de passageiros tem repercussões em cadeia nas microeconomias locais, afectando transportes internos, restauração, alojamento e serviços auxiliares.

Impacto local e pontos a considerar

Na prática, a queda de visitantes pode traduzir‑se em:

  • Menos reservas em alojamentos e menor ocupação;
  • Redução de rendimentos em sectores dependentes do turismo;
  • Dificuldades na manutenção de rotinas de serviço em transportes e excursões interilhas;
  • Riscos para o emprego sazonal e permanente no sector.
Indicador Valor (julho 2026)
Passageiros desembarcados 296.064
Variação anual -4,3%
Período Sétimo mês consecutivo de queda

Sem uma estratégia concertada que envolva Governo Regional, operadores aéreos, agentes turísticos e municipais, e sem instrumentos financeiros ou promocionais adaptados às realidades insulares, a tendência poderá agravar‑se, realçam os socialistas.

O tema promete manter‑se no centro do debate regional nas próximas semanas, enquanto empresários e responsáveis políticos procuram respostas que alinhem a melhoria das acessibilidades com a sustentabilidade das comunidades insulares e a valorização do espaço natural e cultural dos Açores.

Reportagem local, observando a insularidade e a ligação indispensável ao mar e ao céu que condicionam a vida quotidiana das ilhas.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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