As Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, anunciaram o arranque de um estudo científico que pretende transformar a água termal e os recursos vulcânicos locais em produtos dermatológicos. O projecto, com um investimento de 1,3 milhões de euros, é apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e resulta de uma parceria entre a concessionária Verde Similar Termas, o Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) e a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.
Validação científica de um uso empírico
Na região existe um conhecimento empírico consolidado sobre a eficácia das águas sulfurosas das Caldeiras no alívio de diversas afecções cutâneas, nomeadamente psoríase, eczema e pele atópica. No entanto, como explicaram os responsáveis pelo projecto, faltam evidências científicas robustas que validem esses usos e que permitam levar a terapêutica além do espaço balnear.
«Temos muitos utilizadores, nomeadamente com psoríase, que utilizam o balneário das Termas das Caldeiras, na Ribeira Grande, mas a nossa intenção é que a terapêutica não se fique apenas pela utilização em balneário», disse Luísa Pereira, sócia-gerente da concessionária.
O estudo será dividido em duas vertentes principais: uma caracterização aprofundada da água termal e um ensaio clínico destinado a avaliar a eficácia e segurança de tratamentos realizados com esses recursos.
Metas e público-alvo
Segundo a concessionária, o trabalho incluirá participantes de diferentes faixas etárias — crianças, jovens e adultos — e focar-se-á em patologias como psoríase, eczemas, edemas e pele atópica. O objectivo final é desenvolver uma gama de produtos que possam ser aplicados em contexto doméstico, aproveitando não só a água termal mas também a lama vulcânica disponível nas Caldeiras.
- Financiamento: 1,3 milhões de euros pelo PRR;
- Parceiros: Verde Similar Termas, INOVA (Açores) e Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto;
- Fases: caracterização da água e estudo clínico com recrutamento de voluntários.
Recrutamento e etapas seguintes
O recrutamento de voluntários está previsto para setembro, segundo a concessionária. Após a conclusão do estudo e da validação científica, a equipa pretende avançar para a formulação e desenvolvimento dos produtos definidos em termos físicos no projecto. A intenção expressa é que a terapêutica titulada pelas termas possa ser acessível fora do contexto do balneário, aumentando a autonomia dos doentes e potenciando um novo segmento de valor para o turismo de saúde nos Açores.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Financiamento | 1,3 milhões de euros (PRR) |
| Instituições | Verde Similar Termas; INOVA; Faculdade de Farmácia da U.Porto |
| Doenças alvo | Psoríase, eczemas, edemas, pele atópica |
Impacto local e regional
Para o arquipélago, a iniciativa tem múltiplas implicações. Do ponto de vista da saúde, confirma um esforço por aferir e formalizar terapêuticas tradicionais que já atraem utentes locais e visitantes. Do ponto de vista económico e turístico, abre caminho a um produto de turismo de saúde com base em recursos endógenos — água sulfurosa e lama vulcânica — que pode incrementar a oferta termal da ilha e criar valor acrescentado para a Ribeira Grande e para a região.
Adicionalmente, a colaboração com uma faculdade do continente reforça a ligação entre centros científicos e recursos locais, possibilitando transferência de conhecimento e capacitação técnica na ilha.
Transparência e seguimento
A concessionária afirmou ter submetido o projecto à linha PRR «Reindustrializar – Açores» e que os passos seguintes serão comunicados à comunidade assim que os protocolos de investigação estiverem formalizados e o recrutamento iniciado. Aqueles que estiverem interessados em participar deverão aguardar as informações que serão divulgadas pelas entidades envolvidas em setembro.
Na insularidade dos Açores, onde os recursos naturais e o conhecimento tradicional se entrelaçam com a vida quotidiana de pequenas comunidades, iniciativas como esta procuram dar valor científico ao que já é praticado e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de desenvolvimento económico sustentável.
O estudo poderá ainda contribuir para reduzir a necessidade de deslocações ao continente para terapias especializadas, permitindo que tratamentos baseados nos recursos locais sejam realizados na ilha e, em fases posteriores, aplicados em casa pelos próprios utentes.
Seguiremos a evolução do recrutamento e da investigação, procurando detalhar os protocolos clínicos e os prazos para o desenvolvimento dos produtos assim que as equipas envolverem os primeiros voluntários.