O Grupo Parlamentar do Partido Socialista nos Açores pediu explicações ao Governo Regional sobre a ausência da comunidade científica na cerimónia oficial de receção do navio de investigação Azores Ocean, realizada na semana passada. Em requerimento entregue na Assembleia Legislativa, os socialistas reclamam saber por que razão não foram convidados o instituto OKEANOS, o IMAR e os investigadores sediados no polo da Universidade dos Açores na ilha do Faial.
Reclamação parlamentar e valorização do contributo local
O vice‑presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores, Lúcio Rodrigues, criticou a opção do executivo regional por esquecer «quem dedica a sua vida à investigação do nosso mar», destacando que a concretização do navio contou «com o contributo da comunidade científica açoriana». No requerimento, os socialistas exigem esclarecimentos formais sobre a lista de convidados e os critérios adotados pelo Governo para a cerimónia.
«A concretização deste projeto contou com o contributo da comunidade científica açoriana, em particular dos investigadores ligados à Universidade dos Açores e às estruturas de investigação em ciências do mar sediadas na ilha do Faial, pelo que é dificilmente compreensível que quem dedica a sua vida à investigação do nosso mar, contribuindo para o desenvolvimento dos Açores, tenha sido esquecido pelo Governo Regional num momento como este.»
Na comunicação enviada à imprensa, o PS/Açores recorda que, segundo informação divulgada pelo OKEANOS, nem aquele instituto, nem o IMAR, nem a comunidade científica dedicada à investigação marinha baseada no Faial receberam convite para participar na cerimónia oficial de chegada.
Contributo científico para o navio
Os deputados socialistas sublinham que os investigadores tiveram um papel determinante na definição das valências científicas e no apetrechamento da embarcação, nomeadamente «no desenho dos laboratórios e na especificação e seleção dos equipamentos científicos». Por esse motivo, consideram surpreendente a exclusão num momento que, além do simbolismo institucional, assinala um investimento estratégico para a região marítima dos Açores.
A preocupação do PS relaciona‑se, igualmente, com o reconhecimento público e com a visibilidade das equipas locais que trabalham diariamente na monitorização e proteção dos ecossistemas marinhos — atividades de especial importância para um arquipélago cuja extensão marítima multiplica a dimensão do território terrestre.
Implicações para a comunidade e para a gestão do conhecimento
A ausência de convite aos investigadores pode ser lida como uma falha de articulação entre instâncias governamentais e estruturas científicas locais, um ponto sensível numa região insular onde a cooperação entre administração e centros de investigação é vital para maximizar recursos e potenciar capacidades locais.
O requerimento do PS pretende, para além de identificar responsáveis e circunstâncias, clarificar se a exclusão resultou de um lapso administrativo, de opções protocolares ou de outros fatores.
- Instituições não convidadas: OKEANOS; IMAR; comunidade científica do polo do Faial da Universidade dos Açores.
- Pedido: requerimento na Assembleia Legislativa para apurar razões da não‑convocatória.
- Argumento do PS: investigadores contribuíram decisivamente para o projeto do navio e para a definição de equipamentos e laboratórios.
| Elemento | Reivindicação do PS |
|---|---|
| Convites à cerimónia | Esclarecer por que não foram feitos aos institutos e investigadores locais |
| Reconhecimento | Justificação para a ausência de visibilidade pública da comunidade científica |
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de integrar as competências locais em decisões institucionais que envolvem recursos afetos ao mar e à investigação regional. Para os Açores, arquipélago cuja identidade e economia estão estreitamente ligadas ao oceano, a participação das equipas científicas insulares não é apenas uma questão de protocolo: é um elemento de legitimidade técnica e de valorização do capital humano formado nas ilhas.
O requerimento do PS aguarda agora a resposta formal do Governo Regional na Assembleia Legislativa dos Açores. Até lá, a comunidade científica e as estruturas que representaram contributos para o Azores Ocean permanecem à espera de esclarecimentos sobre um episódio que muitos interpretam como uma falha de reconhecimento público do trabalho desenvolvido nas ilhas.