Concentração junto ao Centro Escolar Barbosa du Bocage
Uma ação de protesto acompanhou esta sexta‑feira, em Setúbal, a cerimónia nacional de abertura do ano letivo 2026/2027, que contou com a presença do primeiro‑ministro, Luís Montenegro. Cerca de 50 pessoas reuniram‑se junto ao Centro Escolar Barbosa du Bocage para exigir medidas de valorização da escola pública e dos seus profissionais.
Organizada pela União dos Sindicatos de Setúbal, a ação juntou trabalhadores e professores que colocaram no topo das reivindicações o aumento dos salários, a defesa da Segurança Social como serviço público e a urgência de respostas para a falta de docentes, problema que, segundo representantes sindicais, afeta a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve.
Reivindicações e contexto sindical
À margem da concentração, o coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal, Luís Leitão, explicou que a iniciativa incidiu na valorização da escola pública e das carreiras dos professores e dos trabalhadores não docentes. Leitão sublinhou a ligação das exigências ao momento político atual, com a discussão do Orçamento do Estado.
«Estamos aqui pelo aumento de salários, numa altura que se irá discutir o Orçamento de Estado»,
Além do aumento salarial, os sindicatos defenderam que o investimento público deve privilegiar a escola pública em detrimento do ensino privado e reclamaram a manutenção da Segurança Social no setor público, aconselhando uma visão de proteção social orientada para os trabalhadores.
Professores alertam para a falta de docentes
Também presentes no protesto estiveram dirigentes da Federação Nacional de Professores (Fenprof). Cátia Domingues, professora e membro do Secretariado Nacional da Fenprof, apontou a escassez de docentes como um problema generalizado na região, que, segundo a sua leitura, não foi resolvido pelas medidas entretanto anunciadas pelo Governo e pelo Ministério da Educação.
«É necessário valorizar a carreira docente para atrair novos professores e criar condições para o regresso de profissionais que abandonaram a profissão»,
A dirigente sindical criticou a insuficiência das medidas recentes e apelou à criação de condições de atratividade para a profissão docente — um ponto que foi colocado no epicentro das reivindicações do dia.
O que os sindicatos pedem
- Aumento de salários, com impacto no Orçamento do Estado;
- Valorização da escola pública e dos seus profissionais, incluindo carreiras não docentes;
- Manutenção da Segurança Social como serviço público;
- Medidas concretas para combater a falta de professores na região.
| Reivindicação | Justificação apresentada |
|---|---|
| Aumento de salários | Pressuposto de maior poder de compra e reconhecimento profissional |
| Valorização da escola pública | Desvio de investimento para o setor privado deve ser evitado |
| Segurança Social pública | Defesa dos direitos dos trabalhadores contra a privatização |
| Combater falta de docentes | Atrair novos professores e reintegrar os que saíram |
Na cidade, a intervenção sindical mereceu atenção não só pelo facto de coincidir com a visita do primeiro‑ministro, mas também pela oportunidade de dar visibilidade às dificuldades quotidianas das escolas da região no primeiro dia de aulas. A manifestação decorreu de forma pacífica e simbólica junto à escola, num dia que combinou cerimónias institucionais e críticas públicas sobre as políticas educativas.
Os promotores da ação garantem que as questões levantadas — do financiamento à carreira docente e à proteção social — serão acompanhadas nas próximas semanas, numa fase em que o Orçamento do Estado deverá incorporar decisões que afetem diretamente os serviços públicos e os profissionais da educação.