Colocações urgentes após reunião entre AGSE e diretores
Uma reunião promovida pela Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) com 41 diretores de escolas públicas dos concelhos do Barreiro, Seixal, Loures e Odivelas terminou com a colocação de 362 alunos que ainda não tinham escola atribuída, anunciou o Ministério da Educação em reposta à agência Lusa.
Segundo a tutela, as colocações correspondem «praticamente à totalidade dos casos de matrículas pendentes nestas regiões», embora permaneça «
um número muito residual» de alunos sem colocação no concelho do Seixal, cujos casos serão acompanhados pela AGSE.
Preferências e prazos de candidatura
O ministério acrescenta que a maioria dos alunos agora colocados foi alocada a uma das cinco escolas indicadas nas preferências do pedido de matrícula. No entanto, a tutela salientou que 66,3% dos pedidos de matrícula foram feitos fora de prazo — um dado que tem sido repetido nas comunicações sobre o fenómeno e que o executivo aponta como explicação parcial para as dificuldades registadas.
Na prática, a sequência de intervenções da AGSE tem sido acelerada desde o início do ano letivo: no início da semana a agência tinha já convocado diretores de escolas de Lisboa e resolvido a situação de 405 alunos, e na terça-feira foram colocados 569 alunos dos concelhos de Almada, Sintra e Amadora.
Contexto regional e volume de estabelecimentos
Os dados mais recentes apontados pela Lusa e citados pelo Ministério indicam que, desde 7 de setembro, foram registados 597 pedidos de matrícula para os distritos de Lisboa e Setúbal. A região concentra um número muito elevado de estabelecimentos públicos: 649 em Lisboa e 307 em Setúbal, segundo um levantamento da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência relativo ao ano letivo de 2023/2024, que inclui também jardins de infância.
| Concelhos/Região | Alunos colocados (quarta-feira) |
|---|---|
| Barreiro, Seixal, Loures e Odivelas (conjuntamente) | 362 |
| Lisboa (reunião anterior) | 405 |
| Almada, Sintra e Amadora (terça-feira) | 569 |
Reacções locais e desafios na transição institucional
No primeiro dia de aulas houve pais que disseram à Lusa estar a preparar ações contra o Ministério da Educação porque os filhos continuavam sem escola apesar de terem cumprido os prazos legais de matrícula. Professores e diretores também apontaram problemas de comunicação com a AGSE, que assumiu competências que antes estavam na alçada da extinta Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares (DGEstE).
- Colocação de 362 alunos após reunião entre AGSE e 41 diretores.
- Maioria das colocações respeitou preferências do pedido de matrícula.
- 66,3% dos pedidos foram efetuados fora do prazo, segundo o Ministério.
A transição de responsabilidades entre entidades acentuou fricções na comunicação e operacionalização das colocações, um tema que tem mobilizado diretores e docentes desde o início do processo. Para os encarregados de educação de Odivelas e dos concelhos vizinhos, a notícia das colocações traz algum alívio mas não elimina apreensões: a necessidade de transparência sobre numero total de processos ainda por resolver a nível nacional permanece, e os pais exigem respostas claras sobre casos em que os prazos foram cumpridos.
Enquanto a AGSE continua a acompanhar os «casos específicos» remanescentes, a comunidade educativa em Odivelas segue atenta. As entidades locais esperam agora maior celeridade na resposta a pedidos pendentes e melhorias na informação prestada aos encarregados de educação.