Ambiente Abrantes Lisboa e Vale do Tejo

Movimento proTEJO pede avaliação ambiental conjunta dos centros de dados em Abrantes

O proTEJO exige que os projectos Hyperion (Alvega) e EDC One (junto ao Pego) só sejam licenciados após Estudo de Impacte Ambiental conjunto que avalie consumo de água, potência prevista e outras pressões sobre a bacia do Tejo.

Movimento proTEJO pede avaliação ambiental conjunta dos centros de dados em Abrantes
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

O movimento ambiental proTEJO pediu esta semana que os dois centros de dados previstos no concelho de Abrantes — o Hyperion, a instalar em Alvega, e o EDC One, junto ao Pego — sejam objecto de um Estudo de Impacte Ambiental (EIA) conjunto antes de qualquer processo de licenciamento avançar. Na origem da exigência estão preocupações sobre a pressão que estas infra‑estruturas poderão exercer sobre a bacia do Tejo, nomeadamente em termos de consumo de água e de ligação à rede eléctrica.

Potência e consumo de água em destaque

Segundo o proTEJO, os dois projectos poderão atingir uma potência conjunta de 500 MW. O movimento alerta para estimativas de consumo de água que variam consoante a tecnologia de arrefecimento adoptada: entre 3,6 milhões e 22,2 milhões de litros por dia. Estas medidas, sublinha a organização, ainda não foram tornadas públicas pelos promotores, que não revelaram qual o sistema de arrefecimento previsto nem a previsão de consumo antes de eventuais pedidos de licenciamento.

Item Valor
Potência conjunta (estimada) 500 MW
Consumo de água (estimado) 3,6 — 22,2 milhões L/dia

Pedido de avaliação conjunta e medidas pedidas

O proTEJO defende que os projectos sejam avaliados em conjunto, com base no argumento de que partilham a mesma bacia hidrográfica e o mesmo ponto de ligação à rede eléctrica. A organização critica ainda o facto de, até ao momento, nenhum dos empreendimentos ter apresentado um Estudo de Impacte Ambiental e contesta a opção de adiar a avaliação ambiental para fases posteriores ao processo de viabilidade urbanística.

  • Exigir EIA conjunto antes de qualquer licenciamento;
  • Obter informação pública sobre a tecnologia de arrefecimento e a previsão de consumo de água;
  • Definir limites legais para consumo de água, eletricidade e uso do solo;
  • Divulgação pública de indicadores de desempenho ambiental dos centros de dados;
  • Adopção de regras semelhantes às em preparação em Espanha, incluindo valores máximos obrigatórios e penalizações.
«O Tejo já não tem margem para ser a torre de arrefecimento da inteligência artificial europeia», diz o movimento proTEJO.

Outras pressões sobre o Tejo

Para além das preocupações imediatas associadas aos centros de dados, o proTEJO alerta para outras intervenções que podem aumentar a pressão sobre o caudal e a gestão hídrica do Tejo. Entre as intervenções referidas estão a bombagem reversível prevista em Espanha, a construção de novos açudes e barragens em Portugal e a possibilidade de um eventual transvase de água para a bacia do Guadiana. O movimento sublinha que estas obras não podem ser avaliadas isoladamente, defendendo uma abordagem integrada que considere todas as fontes de pressão sobre o rio.

Consequências locais e pedidos por maior transparência

No terreno, a colocação de infra‑estruturas de grande escala como centros de dados suscitou já preocupações nas comunidades ribeirinhas e entre organizações ambientais nacionais. A exigência do proTEJO inclui também a realização de sessões públicas onde a população possa ser informada e participar no debate sobre os impactos cumulativos na bacia do Tejo. Entre as medidas pretendidas está igualmente a adopção, em Portugal, de limites e mecanismos de fiscalização semelhantes aos que estão a ser preparados em Espanha, com a inclusão de valores máximos para consumo de água e eficiência energética e penalizações em caso de incumprimento.

Até ao momento, não há registos públicos de estudos de impacte ambiental apresentados pelos promotores dos projectos em Abrantes, nem informações detalhadas sobre as tecnologias de arrefecimento a adoptar. A exigência de um EIA conjunto e de maior transparência surge, assim, como uma condição colocada pelo movimento para que qualquer processo de licenciamento prossiga com conhecimento pleno das consequências ambientais e hídricas para o concelho e para a bacia do Tejo.

Os próximos passos dependerem do procedimento administrativo de licenciamento e da resposta das autoridades competentes às reivindicações do proTEJO, bem como da posição dos promotores face à divulgação pública dos dados técnicos reclamados pela organização.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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