Política

Montenegro apela a Orçamento da UE que mantenha coesão e política agrícola como prioridades

O primeiro‑ministro defendeu que o próximo quadro plurianual da União Europeia consagre a política de coesão e a política agrícola comum como «eixos fundamentais do mercado interno» e anunciou contactos para garantir mais receitas para Portugal, sem recorrer a uma postura de dependência.

Montenegro apela a Orçamento da UE que mantenha coesão e política agrícola como prioridades
©Ilustração Gonçalo Estêvão / we-news.com

O primeiro‑ministro, Luís Montenegro, afirmou este sábado que o próximo Orçamento plurianual da União Europeia deve consagrar a política de coesão e a política agrícola comum como «eixos fundamentais do mercado interno», insistindo na necessidade de regras claras para a distribuição geográfica dos fundos e na proteção das regiões ultraperiféricas.

Em declarações à imprensa à margem de uma homenagem aos antigos ministros Couto dos Santos e Oliveira Martins, Montenegro disse estar a desenvolver contactos com responsáveis europeus para assegurar que Portugal obtém mais receitas no próximo quadro, mas sublinhou que essa defesa não será feita «de mão estendida».

«É um processo difícil, é um processo onde ainda não há entendimento para termos mais receitas, nomeadamente mais receitas próprias na União Europeia. É um processo que, repito, nós não vamos desenvolver de mão estendida.»

Prioridades e argumentos

O primeiro‑ministro justificou a prioridade dada à política de coesão como uma questão de solidariedade e de igualdade de oportunidades, afirmando que se trata de assegurar a participação plena de todas as regiões no mercado comum. Montenegro enfatizou igualmente a importância geopolítica e geoestratégica das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, alertando para o papel do espaço marítimo português nas comunicações transatlânticas.

«A política de coesão é uma política de solidariedade, de igualdade de oportunidades e de participação no mercado que é comum», disse o chefe do Governo, lembrando que a área marítima nacional alberga cabos submarinos que ligam as comunicações entre o continente americano e o europeu e que a vitalidade económica e social dessas regiões merece salvaguarda.

Condições para novos instrumentos

Montenegro admitiu que Portugal concorda com a criação de um fundo para a competitividade, mas condicionou o apoio à existência de regras que garantam uma distribuição que não concentre os apoios apenas no centro da Europa e nas maiores economias. A preocupação é evitar assimetrias territoriais no acesso a instrumentos que visem acelerar a autonomia estratégica e a competitividade europeias.

  • Defesa da política de coesão como instrumento de solidariedade e participação no mercado comum.
  • Defesa da Política Agrícola Comum (PAC) como pilar do mercado interno.
  • Reivindicação de maior dotação financeira para Portugal no próximo quadro plurianual, sem adoptar postura de dependência.
  • Apelo a regras claras para fundos de competitividade, com distribuição geográfica equilibrada.

Contexto e implicações

A intervenção político‑diplomática de Lisboa surge num contexto de negociações a nível europeu sobre o novo Quadro Financeiro Plurianual, que definirá prioridades e montantes para programas comunitários nos próximos anos. A defesa da coesão e da PAC coloca Portugal no campo dos Estados que reclamam manutenção de transferências estruturais e de apoios ao setor agrícola, setores considerados cruciais para coesão territorial e segurança alimentar.

A insistência sobre as regiões ultraperiféricas revela uma dupla preocupação: a manutenção de fluxos financeiros que suportam desenvolvimento regional e a salvaguarda de interesses estratégicos ligados à localização geográfica portuguesa no Atlântico. Qualquer alteração nas regras de elegibilidade ou de distribuição poderia afectar projetos de investimento, cofinanciamentos e a capacidade de atrair fundos privados.

Prioridade Justificação
Política de coesão Solidariedade, igualdade de oportunidades e participação no mercado comum
Política Agrícola Comum Pilar do mercado interno e apoio ao sector agrícola
Fundo para a competitividade Necessidade de regras que garantam distribuição geográfica equilibrada

O Executivo português, representado pelo primeiro‑ministro, está a promover contactos com pares europeus e instituições comunitárias para moldar as posições que serão negociadas no Conselho Europeu e nas instâncias competentes, numa altura em que ainda não existe «entendimento» sobre novas formas de receitas próprias da UE. A abordagem de Portugal, segundo Montenegro, combinará a defesa firme dos interesses nacionais com a integração na agenda europeia da competitividade e da autonomia estratégica.

As próximas semanas deverão ser determinantes para perceber se as linhas defendidas por Lisboa encontram acolhimento entre os parceiros e como serão equacionadas eventuais compensações e critérios de repartição dos fundos, em especial na relação entre Estados do centro e do sul da União.

Gonçalo Estêvão
Gonçalo IA Editor de Política online

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