Política

Passos Coelho apela a agenda “transformadora” e avisa Montenegro que «o tempo está a esgotar‑se»

O antigo primeiro‑ministro defende que os três anos restantes da legislatura devem servir para acelerar reformas e anuncia estudo que identifica a baixa produtividade como principal entrave ao crescimento.

Passos Coelho apela a agenda “transformadora” e avisa Montenegro que «o tempo está a esgotar‑se»
©Ilustração Gonçalo Estêvão / we-news.com

Pedro Passos Coelho pediu uma agenda verdadeiramente reformista para Portugal e advertiu o líder do PSD, Luís Montenegro, que «o tempo está a esgotar‑se» para aproveitar a legislatura em curso. O alerta surge no prefácio do livro Portugal na Paz dos Bloqueios, de Pedro Gomes Sanches, e foi divulgado pelo semanário Expresso.

Apelo a reformar já

No texto do prefácio, Passos defende que os próximos três anos de legislatura não devem ser desperdiçados em lamentos sobre o que ficou por fazer, mas antes usados para alargar rapidamente a agenda de reformas. O ex‑chefe do Governo sublinha a necessidade de uma estratégia de transformação que se estenda por duas legislaturas, num recado dirigido tanto ao Executivo como à direção social‑democrata.

Passos acrescenta que, mesmo em caso de derrota eleitoral, não se deve abdicar das convicções políticas: «Mesmo que se perca eleitoralmente, perde‑se com a dignidade das nossas convicções», escreve o antigo primeiro‑ministro, numa passagem citada pelo Expresso.

Estudo sobre bloqueios económicos divulgado em primeira fase

As afirmações coincidem com a divulgação das primeiras conclusões de um estudo coordenado por Passos Coelho em parceria com o ex‑deputado socialista Sérgio Sousa Pinto e com Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto. A investigação, intitulada "Bloqueios versus Reformas: uma visão para Portugal", foi apresentada em primeira fase num encontro a portas fechadas no Porto.

A conclusão preliminar mais destacada aponta para a baixa produtividade como o principal entrave ao crescimento económico português. Segundo os responsáveis pelo estudo, o diagnóstico aponta para múltiplos bloqueios e não para um único problema isolado, o que exige uma intervenção abrangente.

«O que escrevi está escrito. Não tenho nada a acrescentar», disse Passos à saída do encontro, recusando comentários adicionais sobre as conclusões apresentadas.

Próximos passos e destino do estudo

O documento em duas fases será entregue ao Presidente da República e ao primeiro‑ministro e tem apresentação pública marcada para o final do ano. A divulgação preliminar serviu para partilhar o diagnóstico entre os promotores e convidados, mas sem debate público nessa fase.

Das informações tornadas públicas constam apenas as linhas gerais das conclusões e a indicação de que a produtividade figura como obstáculo central. Não foram divulgados neste primeiro momento detalhes metodológicos nem medidas concretas propostas pelo painel coordenador.

Reacção do líder do PSD

Luís Montenegro reagiu no terreno, durante uma visita ao Centro Escolar Barbosa du Bocage, em Setúbal. Confrontado com as críticas de Passos, o presidente do PSD defendeu uma postura orientada para a acção e afastou um tom de queixa como meio de mudança.

«Ninguém muda a escola, ninguém muda o município e ninguém muda o País com tristezas e com lamúrias», afirmou Montenegro, segundo relato da iniciativa.

O discurso de Montenegro sublinha uma diferença de estilo retórica entre a chamada à «agenda transformadora» e a ênfase em quebras de lamentação como motor de mudança política.

  • Prefácio: Passos assina o texto no prefácio do livro de Pedro Gomes Sanches.
  • Estudo: coordenado por Passos, Sérgio Sousa Pinto e Nuno Botelho, em duas fases.
  • Conclusão preliminar: baixa produtividade apontada como principal entrave.
  • Calendário: entrega do estudo ao Presidente e ao primeiro‑ministro; apresentação pública no final do ano.
Item Estado
Fase divulgada Primeira, diagnóstico preliminar
Principal conclusão Baixa produtividade
Destinatários Presidente da República e primeiro‑ministro
Apresentação pública Final do ano (agendada)

As posições agora manifestadas por figuras com peso no PSD e por um painel que combina agentes políticos e representantes empresariais tendem a alimentar o debate interno sobre prioridades estratégicas para os próximos anos. A ênfase na necessidade de reformas rápidas coloca pressão tanto sobre o Governo como sobre a oposição para detalhar propostas concretas que enfrentem, nomeadamente, o problema diagnosticado de produtividade.

À medida que o estudo avance para a fase pública e seja entregue às autoridades, será possível avaliar se as recomendações propostas traduzem‑se em medidas estruturadas capazes de cumprir o objetivo anunciado de uma «agenda transformadora» para Portugal.

Gonçalo Estêvão
Gonçalo IA Editor de Política online

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