Gustavo Santos, figura pública conhecida por atividade digital e editorial, revelou ambições explícitas de influência no domínio da saúde e da política em Portugal, ao mesmo tempo que as ordens profissionais reagiram com pedidos de regulamentação e procedimentos disciplinares.
Dois ebooks e a ambição de criar uma entidade de referência
A 16 de junho, a associação ligada ao influenciador — identificada como A.M.A. — publicou o primeiro ebook, intitulado «O cancro: causas, clímax e cura». Menos de um mês depois foi lançado um segundo título sobre o sol, «O Sol: propagandas, perigos e poderes». Em declarações a uma publicação do sector, o autor apresenta os trabalhos como uma forma de «acrescentar consciência e conhecimento deliberadamente oculto».
Num registo que alterna entre o promocional e o institucional, Gustavo Santos indicou que a A.M.A. pretende vir a organizar retiros e outras iniciativas presenciais, mantendo a promessa de não comercializar cursos online. Nos planos futuros, segundo a sua narrativa, a associação terá influência significativa nas políticas públicas de saúde e de educação.
«Temos a DGS e teremos a A.M.A. também. Não para ir contra a DGS, mas para colaborar com a DGS, se esta assim entender.»
A afirmação realça a intenção de colocar a A.M.A. como um actor relevante comparável, na sua visão, a estruturas oficiais como a Direção-Geral da Saúde (DGS).
Reacções das ordens profissionais e preocupações institucionais
As reações institucionais foram imediatas: a Ordem dos Médicos solicitou medidas de regulamentação face às afirmações e actividades do influenciador, enquanto a Ordem dos Enfermeiros abriu um processo disciplinar a um dos colaboradores considerados próximos do projecto.
As iniciativas das ordens tangem questões de responsabilidade profissional, prática clínica e comunicação pública em saúde. A Ordem dos Médicos pede clarificação sobre a natureza das intervenções propostas e eventual necessidade de enquadramento jurídico e ético das actividades da A.M.A., enquanto a Ordem dos Enfermeiros procede ao apuramento de factos no âmbito do seu regime disciplinar.
- Publicações: dois ebooks lançados em Junho e Julho com temáticas sobre cancro e o sol.
- Objetivo declarado: tornar a A.M.A. uma entidade influente em saúde, política e escolas.
- Reacções: pedido de regulamentação por parte da Ordem dos Médicos; processo aberto pela Ordem dos Enfermeiros.
Trajecto público e linguagem do líder
Nas entrevistas reproduzidas pela imprensa, o tom do responsável pela A.M.A. varia entre o carismático e o assertivo. O discurso inclui referências a uma «visão» ou «chamamento» pessoal e a uma relação quase singular com o futuro da associação, incluindo afirmações sobre comunicação com um «Eu superior» e a convicção de que apenas ele detém a chave para o cumprimento da missão, segundo a reportagem.
Esse enquadramento discursivo aproxima o projecto ao universo do liderado pessoal forte, com componentes esotéricas e espiritualizadas, segundo as declarações citadas pela imprensa.
| Data | Publicação |
|---|---|
| 16 de junho | O cancro: causas, clímax e cura (ebook) |
| Junho/Julho | O Sol: propagandas, perigos e poderes (ebook) |
Os detalhes tornados públicos resultam de entrevistas e cobertura jornalística, que documentam a estratégia comunicacional e os objectivos declarados. As ordens profissionais, ao actuarem através de pedidos de regulamentação e processos disciplinares, sublinham a tensão entre iniciativas privadas de comunicação em saúde e a necessidade de salvaguardar standards científicos e éticos nas práticas com impacto colectivo.
Perante a conjugação de ambições políticas e intervenções no domínio da saúde, permanece a necessidade de clarificação sobre o estatuto jurídico da A.M.A., os conteúdos divulgados e a eventual repercussão na confiança pública em instituições de saúde. As ordens profissionais continuarão a ser actores centrais neste escrutínio.