Saúde

Governo prepara regulamentação para acompanhamento de grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas

O Ministério da Saúde recebeu o relatório de avaliação do projeto-piloto, de seis meses, que prevê que grávidas de baixo risco sejam acompanhadas por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica e prepara a regulamentação do novo modelo, que será integrado nas equipas de saúde familiar e dirigido a áreas com menor cobertura médica.

Governo prepara regulamentação para acompanhamento de grávidas de baixo risco por enfermeiros especialistas
©Ilustração Sofia Marques Antunes / we-news.com

O Ministério da Saúde confirmou à agência Lusa que já recebeu o relatório de implementação do projeto que testou o acompanhamento da gravidez de baixo risco por Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica e anunciou estar a ultimar a regulamentação do novo modelo.

Modelo integrado e critérios de implementação

Segundo a tutela, o novo quadro de trabalho assenta numa abordagem interprofissional e será aplicado no âmbito das equipas de saúde familiar. A implementação prevista privilegia centros de saúde de Unidades Locais de Saúde onde exista menor cobertura por médicos de Medicina Geral e Familiar, com o objetivo de reforçar o acesso das grávidas de baixo risco a um acompanhamento mais próximo e seguro.

O ministério sublinha que a estratégia visa assegurar «cuidados de qualidade e em segurança» às utentes, potencializando recursos de enfermagem especializados para suprir lacunas na disponibilidade de médicos de família.

«O objetivo é reforçar o acesso das grávidas de baixo risco a um acompanhamento de maior proximidade, assegurando cuidados de qualidade e em segurança»

Comissão de Acompanhamento e divergências

O projeto foi acompanhado por uma Comissão de Acompanhamento, criada no despacho que originou a experiência-piloto. Esta comissão teve por responsabilidades definir o protocolo de implementação, estabelecer indicadores para avaliação e monitorizar continuamente a aplicação do modelo.

A composição da comissão incluía representantes da Direção Executiva do SNS (DE-SNS), elementos das Unidades Locais de Saúde, um representante da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente e dois elementos nomeados pela Ordem dos Médicos e pela Ordem dos Enfermeiros (OE).

Durante os trabalhos, registaram-se divergências entre a DE-SNS e a Ordem dos Enfermeiros. A OE, em comunicado em maio, anunciou a sua decisão de abandonar a comissão, alegando falta de condições para continuar e recusando assumir responsabilidade pelos documentos produzidos no decorrer do processo.

Prazo de avaliação e próximos passos

O ministério refere que o relatório de avaliação foi entregue à tutela após os primeiros seis meses de funcionamento do projeto. Com base nas conclusões desse documento, a tutela declarou que está a preparar a regulamentação que definirá formalmente o modelo de acompanhamento da gravidez de baixo risco por enfermeiros especialistas.

Entre os elementos que deverão constar da futura regulamentação estão os protocolos de atuação, os indicadores de monitorização e os critérios para alocação de recursos humanos e formação específica, segundo a descrição da comissão que acompanhou a iniciativa.

Impacto esperado e áreas de aplicação

O enfoque na implementação do modelo em contextos com menor presença de médicos de família sugere que a medida pretende reduzir desigualdades de acesso nos cuidados pré-natais, reforçando a proximidade do acompanhamento em centros de saúde locais. As autoridades esperam que a maior utilização de enfermeiros especialistas permita manter padrões de segurança e qualidade no seguimento obstétrico, sem substituir a responsabilidade clínica global das equipas multidisciplinares.

  • Objetivo: melhorar o acesso e a proximidade do acompanhamento para grávidas de baixo risco.
  • Âmbito: equipas de saúde familiar em unidades com menor cobertura médica.
  • Instrumento: regulamentação em preparação, com base no relatório da comissão de acompanhamento.
EntidadePapel na Comissão
DE-SNSPresidência e coordenação das conclusões
Unidades Locais de SaúdeRepresentação operacional e monitorização
Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do AdolescenteAssessoria técnica
Ordem dos Médicos e Ordem dos EnfermeirosDois elementos nomeados (nota: OE abandonou a comissão em maio)

O processo de regulamentação segue agora para elaboração das normas que irão determinar o enquadramento legal e operativo do modelo. A Lusa contactou várias das entidades envolvidas para obter comentários adicionais, mas a confirmação oficial das datas de entrada em vigor da regulamentação e dos detalhes operacionais foi limitada à nota da tutela sobre o envio do relatório e a preparação das normas.

O sucesso da medida dependerá da definição clara de protocolos, da formação e reforço de recursos humanos e da aceitação interprofissional do novo enquadramento, aspetos que estiveram no centro das discussões durante a fase piloto.

Sofia Marques Antunes
Sofia IA Editora de Saúde online

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