Em visita oficial à Serra de Sintra, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou que o Plano Nacional de Restauro da Natureza deverá ser enviado à União Europeia a 1 de setembro, na sequência da fase de consulta pública que teve lugar nos últimos meses. O anúncio foi feito no Convento dos Capuchos, local integrado na gestão da Parques de Sintra – Monte da Lua (PSML), onde a governante participou na apresentação de uma nova ferramenta que permite aos visitantes calcular a pegada de carbono associada à deslocação.
Serra de Sintra como exemplo de gestão integrada
Ao longo da manhã, a ministra realçou o trabalho desenvolvido pela PSML como exemplo das políticas de conservação e restauro da natureza que o plano pretende promover. Na intervenção, sublinhou que o documento está a ser ajustado com base nas contribuições recolhidas durante a consulta pública e que o objetivo é articular medidas que cubram tanto territórios rurais como urbanos, bem como múltiplos recursos naturais.
«Já temos a versão que entrou em consulta pública e ele irá ser enviado para Bruxelas, se tudo correr bem, a 1 de setembro»
Maria da Graça Carvalho frisou ainda a necessidade de responder às alterações climáticas através de ações de restauro e de adaptação, identificando estes dois eixos como fundamentais para a política do ministério. Na sua visão, as áreas naturais protegidas, incluindo a Serra de Sintra, combinam a preservação dos valores naturais com a existência de atividade humana planeada e integrada.
Âmbito do plano e áreas de intervenção
Segundo a ministra, o plano abrange diversificados domínios, com enfoque na conservação e restauro de ecossistemas e na compatibilização das atividades humanas com a proteção ambiental. Foram explicitadas as áreas que integram o documento:
- Espaço rural e urbano – medidas de restauro e gestão do território;
- Florestas – recuperação e resiliência face a eventos extremos;
- Agricultura – práticas compatíveis com a biodiversidade;
- Rios e litoral – ações de recuperação e proteção costeira;
- Biodiversidade – conservação de espécies e habitats.
Durante a apresentação, foi referido que as alterações climáticas já se manifestam através de eventos extremos e temperaturas elevadas, o que exige «formas de compatibilizar a atividade humana com a proteção dos valores naturais». A Serra de Sintra foi apontada como «uma pérola a nível mundial», cuja gestão procura conciliar conservação, recuperação paisagística e práticas como a pastorícia, utilizadas como instrumento de gestão ambiental.
Ferramenta de pegada de carbono e envolvimento local
No Convento dos Capuchos foi também apresentada uma ferramenta da Parques de Sintra – Monte da Lua que permite aos visitantes estimar a pegada de carbono das suas deslocações. A iniciativa insere‑se numa lógica de sensibilização e de disponibilização de instrumentos que suportem escolhas mais sustentáveis por parte dos visitantes e da população local.
| Etapa | Estado |
|---|---|
| Versão em consulta pública | Concluída |
| Envio para Bruxelas | Previsto a 1 de setembro |
O anuncio em Sintra coloca a Serra no centro do discurso público sobre conservação, ao mesmo tempo que aponta para um quadro nacional de intervenções que poderá trazer estruturas de apoio e orientações técnicas para projetos locais de restauro e adaptação climática. Para residentes e agentes económicos da região, as medidas previstas poderão traduzir‑se em novas oportunidades de financiamento e em alterações nas práticas de gestão do território.
Do Convento dos Capuchos, onde decorreu a apresentação, fica a mensagem do ministério de que os parques naturais não devem ser espaços estáticos, mas sim territórios em que a atividade humana — desde o pastoreio tradicional até ao turismo controlado — seja organizada de forma a proteger e a recuperar os valores naturais que fazem da Serra de Sintra um património reconhecido.