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João Lourenço denuncia «anarquia mundial» na ONU e reclama reforma urgente do sistema de segurança global

No debate de abertura da 81.ª Assembleia Geral da ONU, o Presidente angolano alertou para a prevalência da força sobre o direito, apontou a deterioração da paz e segurança e pediu uma nova governação das Nações Unidas capaz de restaurar confiança e estabilidade.

João Lourenço denuncia «anarquia mundial» na ONU e reclama reforma urgente do sistema de segurança global
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

O Presidente de Angola, João Lourenço, afirmou esta terça‑feira na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas que o mundo vive «uma anarquia» na qual «o uso da força impera sobre a força da razão e da lei», e apelou a uma reforma urgente da governação da organização para restabelecer confiança e paz.

«Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da lei, em flagrante oposição das normas que regem as relações internacionais»

O chefe de Estado angolano participou no primeiro dia dos debates da 81.ª sessão da Assembleia Geral, que decorre até 28 de setembro em Nova Iorque sob o lema «Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma Organização das Nações Unidas ao serviço de todos». No seu discurso, classificou a situação actual da segurança internacional como «profunda preocupação» e advertiu para o risco concreto de escalada que aproxima «assustadoramente» o planeta de um conflito geral.

Crítica às práticas de poder e menção aos teatros de conflito

João Lourenço condenou o terrorismo «em todas as suas formas» e sublinhou que, para além das ameaças terroristas presentes em alguns países africanos, a situação de paz e segurança global tem vindo a agravar‑se de ano para ano. O Presidente apontou a subalternização das regras que regulam as relações entre Estados, criticando a prevalência da intimidação e da imposição de valores resultantes de visões unilaterais orientadas por interesses exclusivos.

Enumerando áreas de tensão, referiu conflitos «na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e em África», e alertou também para o aumento das tensões na região da Ásia‑Pacífico. Lourenço associou a tentativa de dominação por meios militares a um rumo que poderá conduzir a uma catástrofe global.

Impactos humanitários e contributos para o debate sobre o Conselho de Segurança

O Presidente angolano realçou ainda o agravamento das condições de segurança alimentar, energética e humanitária em vários países, citando como factores agravantes o eclodir de guerras, entre as quais mencionou a Ucrânia e o Irão. No seu discurso, fez referência ao envolvimento directo de alguns membros permanentes do Conselho de Segurança nas guerras mais sangrentas, comentando implicitamente a necessidade de repensar a arquitectura e o funcionamento desse órgão central das Nações Unidas.

Sem apresentar um plano concreto de reforma durante a intervenção, João Lourenço defendeu a necessidade de «uma nova governação das Nações Unidas» capaz de restaurar confiança e promover a paz, numa alusão ao debate que há décadas polariza a comunidade internacional sobre a representatividade e os poderes de veto no Conselho de Segurança.

  • Tema central: denúncia da prevalência da força sobre o direito internacional.
  • Áreas de preocupação: conflitos na Europa, Médio Oriente, Golfo Pérsico, África e tensões Ásia‑Pacífico.
  • Proposta política: reforma urgente da governação das Nações Unidas e do sistema de segurança global.
Evento Local Data
81.ª Assembleia Geral da ONU Nova Iorque 22–28 de setembro

O tom do discurso de João Lourenço insere‑se num conjunto de intervenções de chefes de Estado que, na abertura da sessão, têm vindo a denunciar a erosão das regras internacionais e a reclamar acções concretas da comunidade multilateral. A crítica dirigida às práticas de alguns atores com poder militar destaca, por sua vez, a perspetiva africana sobre o impacto global das decisões e intervenções de grandes potências.

À medida que decorre a Assembleia Geral, os pedidos de mudança na estrutura das Nações Unidas — em particular no que concerne ao Conselho de Segurança — deverão ganhar expressão renovada, entre apelos por maior representatividade e por mecanismos que impeçam a instrumentalização do poder militar em detrimento do direito internacional e das necessidades humanitárias.

O debate promete manter‑se central nas próximas sessões, com líderes africanos e de outras regiões a pressionarem por respostas que combinem reformas institucionais e soluções para as crises humanitárias e de segurança identificadas por João Lourenço.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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