O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, afirmou hoje que «o regime que governa Angola» tem intensificado atos de intolerância política, com episódios que, na sua opinião, revelam «marcas de violência que envergonham o Estado e ferem a dignidade dos cidadãos». A declaração foi proferida na abertura da IV Reunião do Comité Permanente da UNITA, realizada na província do Uíje.
Acusações contra forças de segurança
Segundo o líder do maior partido da oposição angolana, nos últimos meses têm-se verificado intervenções das forças de defesa e segurança — com destaque para a Polícia Nacional — «com irracional brutalidade» contra manifestações que, assegurou, eram pacíficas. Adalberto Costa Júnior apontou como exemplos os incidentes em Cazombo, na província do Moxico Leste, e uma ação policial em agosto na província do Uíje, onde, disse, foi impedido um ato político do partido.
«Em Cazombo, a Polícia foi ao ponto de profanar o sepulcro de uma figura monárquica local, violando a cultura e a tradição do povo Lunda-Ndembo».
O presidente da UNITA sublinhou que esses acontecimentos não são meros «excessos administrativos», mas sim «sintomas de um poder desnorteado, que perdeu o sentido da legalidade e da convivência democrática». Referiu ainda episódios recentes em Cacuaco, em diversos municípios de Luanda e noutras zonas do país, que considerou indicativos de instruções que violam direitos.
Tratamento diferenciado e uso da polícia
Adalberto Costa Júnior contrapôs o tratamento dispensado a militantes do partido no poder com o dado aos membros da UNITA: «Quando o partido de regime tem brigadas nas ruas para contacto com os cidadãos, são protegidos. Quando a UNITA tem membros nas ruas para contacto com os cidadãos, recebem resposta distinta». O líder da UNITA acusou ainda que, por vezes, em lugar de proteção, surge «a proibição» e, «muitas vezes com violência».
O político lamentou incidentes ocorridos a 08 de agosto, quando, afirmou, militantes do partido foram alvo de «violência gratuita», utilizando-se a polícia «como um instrumento de competição partidária», e defendeu que tais práticas «não se devem repetir».
Mobilização e horizonte político
Na intervenção sobre o estado do partido e o futuro político de Angola, Adalberto Costa Júnior destacou que a UNITA atravessa «uma fase de extraordinária vitalidade mobilizadora», apontando o crescimento das suas atividades de massas e a adesão de «imensa juventude desencantada com a governação». Reafirmou também os objetivos do projeto da Frente Ampla, que, segundo ele, «está preparado para ganhar ainda mais corpo e adesão, rumo à alternância democrática em 2027».
- Localizações mencionadas: Uíje (impedimento de ato em agosto), Cazombo (profanação de sepulcro), Cacuaco e outros municípios de Luanda (incidentes recentes).
- Acusações centrais: uso da polícia como instrumento de competição partidária; violação de tradições locais; perda de legalidade e convivência democrática.
- Perspetiva do partido: crescimento organizativo e mobilização para a alternância em 2027.
| Incidente | Descrição (conforme UNITA) |
|---|---|
| Uíje | Polícia impediu um ato político da UNITA em agosto |
| Cazombo (Moxico Leste) | Polícia terá profanado o sepulcro de uma figura monárquica local, violando tradição Lunda-Ndembo |
| Cacuaco e Luanda | Incidentes recentes de resposta policial a actividades do partido, incluindo episódios a 08 de agosto |
As declarações do líder da UNITA ocorrem no âmbito da reunião do Comité Permanente do partido e amplificam uma narrativa de confrontação com o Executivo e as instituições de segurança, ao mesmo tempo que projetam a UNITA como protagonista de uma alternativa política. O discurso aponta para um duplo objetivo: denunciar práticas que, segundo o partido, fragilizam a democracia e, simultaneamente, capitalizar a crescente adesão popular para consolidar um projeto de oposição com vista a 2027.
Até ao momento, não foram divulgadas reacções oficiais do Executivo ou dos órgãos de segurança sobre as acusações colocadas na intervenção de hoje.