O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, reiterou em Seul que a solução para as tensões na península coreana exige a erradicação das causas profundas do conflito e um fim da «política hostil» dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte, segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua.
Encontros diplomáticos em simultâneo
Wang Yi encontrou-se com o conselheiro de segurança da Coreia do Sul, Wi Sung Rak, numa reunião em que a diplomacia chinesa voltou a sublinhar a necessidade de procurar mecanismos que garantam paz e estabilidade duradouras entre as duas Coreias. No mesmo dia, o Presidente sul‑coreano, Lee Jae Myung, pediu a Pequim que desempenhe um papel construtivo nos esforços de desnuclearização da península, segundo a agência sul‑coreana Yonhap.
«Por favor, mantenha uma comunicação estratégica estreita com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cho Hyun, e com o conselheiro de Segurança Nacional, Wi Sung‑lak, no que diz respeito às relações entre a Coreia [do Sul] e a China e às questões da península coreana», afirmou Lee, segundo a Yonhap.
Wang saudou a atual aproximação entre Seul e Pequim e afirmou que pretende preservar «esta tendência positiva» nas relações bilaterais. Sobre os contenciosos na península, explicou que a «solução fundamental reside na eliminação das causas profundas do problema e em exortar os Estados Unidos a abandonarem a política hostil em relação à Coreia do Norte», conforme transmitido por fontes do governo chinês à Xinhua.
Contexto das posições
Os encontros em Seul ocorreram um dia após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de se reunir com o líder norte‑coreano, Kim Jong‑un, antes do final do ano, numa tentativa de retomar o diálogo com Pyongyang. Também no fim de semana, Trump comunicou uma redução dos exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul, justificando que as manobras poderiam transmitir uma mensagem errada à Coreia do Norte.
Esses desenvolvimentos têm contribuído para um ajustamento nas relações entre Washington e Seul, indicam as agências que cobriram as conversações. Na sequência das declarações do Presidente norte‑americano, o Governo sul‑coreano contestou esta manhã a estimativa feita por Trump sobre o arsenal nuclear da Coreia do Norte, segundo relatos noticiosos.
Actores e posições
As posições expressas em Seul traduzem preocupações distintas dos principais intervenientes na região:
- China: apela ao fim da «política hostil» dos EUA e defende a eliminação das causas profundas da instabilidade na península.
- Coreia do Sul (Lee Jae Myung): solicita que a China tenha um papel construtivo na desnuclearização e reforçe a comunicação estratégica com Seul.
- Estados Unidos: sinalizam disposição para diálogo com Pyongyang, incluindo encontro entre os líderes, e ajustam exercícios militares conjuntos.
| Actor | Posição/ação recente |
|---|---|
| China (Wang Yi) | Pede fim da política hostil dos EUA; quer mecanismo de paz duradouro |
| Coreia do Sul (Lee Jae Myung) | Pede papel construtivo da China na desnuclearização |
| Estados Unidos (Donald Trump) | Propõe reunião com Kim; reduz exercícios conjuntos |
Analistas e decisores na região acompanham com atenção os sinais diplomáticos cruzados: enquanto Pequim coloca ênfase na alteração do comportamento dos Estados Unidos como condição para progresso, Washington dá sinais de disponibilidade para conversações diretas com Pyongyang, numa abordagem criticada por Seul em alguns pormenores.
Consequências e desafios
A insatisfação declarada por Pequim relativamente à postura norte‑americana pode complicar esforços multilaterais de gestão da crise, sobretudo se as interpretações sobre intenções e gestos militares divergirem entre aliados e vizinhos. A proposta chinesa de eliminar «as causas profundas» implicaria, na prática, um debate mais amplo sobre presenças militares, sanções e garantias de segurança — temas que tradicionalmente dividem Seul, Washington e Pequim.
As auscultas diplomáticas em torno da península coreana prosseguem, e os próximos desenvolvimentos — nomeadamente eventuais contactos directos entre Donald Trump e Kim Jong‑un e a resposta de Pequim a essas iniciativas — serão determinantes para perceber se a retoma do diálogo pode ser acompanhada por medidas concretas de desescalada.
Fontes: agências Xinhua e Yonhap; comunicados de governo citados pelas agências.