Animais filmados junto a trânsito urbano
Um grupo de javalis foi filmado em julho a circular por ruas e jardins de Setúbal, chegando a atravessar uma passadeira onde circulam carros e autocarros, segundo um vídeo partilhado nas redes sociais. O registo foi divulgado pela moradora Agatha Magalhães através da conta Instagram @agatha_karla e mostra os animais a caminhar por zonas relvadas e a cavar a terra com o focinho, numa aparente procura por alimento.
O episódio traz novamente para a agenda local a presença destes mamíferos nas imediações da cidade, que já vinham sendo avistados com alguma frequência nas praias da Serra da Arrábida. O fenómeno tem suscitado preocupação entre moradores e utilizadores dos espaços públicos, devido ao comportamento imprevisível dos animais e ao risco potencial para peões e veículos.
Reação da Câmara e recomendações
A Câmara Municipal de Setúbal reconheceu publicamente a presença dos javalis no meio urbano e sublinhou que tal situação «não é natural nem desejável», alertando para os cuidados a ter caso alguém encontre um destes animais. Na sua página do Facebook, a autarquia partilhou um guia com orientações práticas, entre as quais se destacam:
- não se aproximar do animal e afastar-se lentamente se este se aproximar;
- não alimentar javalis;
- não deixar restos de alimentos fora dos contentores.
«Esta presença não é natural nem desejável», afirma a autarquia em comunicado publicado na sua página oficial.
Estas medidas visam reduzir as oportunidades de contacto entre humanos e javalis e eliminar fontes de alimentação que possam atrair os animais para o espaço urbano.
Coordenação entre entidades será decidida em reunião
Quanto às ações de controlo da população de javalis, a Câmara afirmou que estas devem ser executadas pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Por sua vez, o ICNF disse, segundo o Jornal de Notícias, que não intervém em áreas urbanas. Esta diferença de competências levou à previsão de uma reunião entre os órgãos envolvidos, prevista para quinta‑feira, com o objetivo de decidir em conjunto que medidas adotar para afastar os animais da cidade e mitigar riscos.
| Factos | Dados |
|---|---|
| Registo em vídeo | Julho (partilhado em redes sociais por Agatha Magalhães) |
| Comunicação da Câmara | Publicação de guia com orientações na página do Facebook |
| Próxima ação prevista | Reunião entre autarquia e ICNF prevista para quinta‑feira |
Na cidade, moradores com quem conversei mostram‑se apreensivos. Alguns relatam encontros ocasionais junto a jardins e zonas verdes, enquanto outros referem já ter visto javalis nas margens costeiras da Serra da Arrábida, especialmente nas praias próximas como o Creiro. O cartaz do ICNF, colocado em áreas de acesso à praia do Creiro, também tem alertado para a presença destes mamíferos e para os cuidados a adotar.
O registo audiovisual divulgado agrega um elemento adicional: além do risco direto de choque com veículos, a circulação noturna dos animais por vias com trânsito de autocarros e carros aumenta a probabilidade de incidentes. No vídeo chega inclusive a ser vista uma viatura a circular a curta distância dos animais, situação que reforça a necessidade de informação e medidas de prevenção junto da população.
Consequências locais e próximo passos
Para além do impacto imediato na segurança, a presença regular de javalis em zonas urbanas coloca questões sobre gestão de resíduos, manutenção de espaços verdes e melhor controlo de lixos que possam atrair a fauna. A reunião prevista entre a Câmara e o ICNF deverá clarificar responsabilidades e eventuais intervenções conjuntas.
Até que soluções estruturais sejam decididas, a autarquia apela à colaboração dos setubalenses no cumprimento das recomendações divulgadas, nomeadamente no que respeita à não alimentação dos animais e à correcta deposição de resíduos, medidas simples mas essenciais para reduzir contactos indesejáveis.
Seguirei a evolução das decisões das autoridades e a implementação de medidas locais, e continuarei a recolher testemunhos de quem vive e trabalha na cidade para avaliar o impacto destas presenças na rotina urbana.