O presidente da holding Itaúsa, Alfredo Setubal, afirmou que o Brasil atravessa um ambiente pouco propício para a atividade empresarial, marcado por taxas de juro elevadas, desaceleração da actividade económica e um consumo em retração devido ao elevado endividamento das famílias.
Diagnóstico do panorama económico
Durante a teleconferência de apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, o responsável evidenciou um cenário de crescimento «lento», no qual os estímulos fiscais aplicados até agora não têm provocado uma resposta robusta da economia. Recordou que, apenas no primeiro semestre, as medidas de incentivo do Governo totalizaram cerca de R$ 200 mil milhões, sem que se verifiquem sinais de recuperação significativa do consumo.
«A economia brasileira está crescendo devagar, com as taxas de juros bastante elevadas. É uma economia desacelerando do ponto de vista do consumo. Então, é um ambiente pouco propício, vamos dizer assim, aos negócios».
Pressões sobre consumo e inflação
Setubal identificou o endividamento das famílias como um dos principais entraves à retoma do consumo, com os agregados a reduzirem despesas apesar dos pacotes de estímulo. A inflação, embora considerada baixa face aos padrões históricos do país pelo executivo, permanece acima do limite superior da banda adotada pelo Banco Central — o que mantém pressões sobre o poder de compra e as decisões de política monetária.
O presidente da holding apontou ainda as eleições como fator adicional de incerteza, que tende a afectar expectativas de investidores e consumidores e a condicionar decisões de gasto e investimento.
Resultados e perspectivas da Itaúsa
Nos resultados apresentados para o segundo trimestre de 2026, a Itaúsa reportou um lucro de R$ 4,3 mil milhões, um aumento de 7% face ao mesmo período do ano anterior. Apesar do desempenho positivo da holding, Setubal expressou cautela quanto às perspectivas económicas para 2027, esperando uma economia «ainda mais desacelerada» no ano seguinte.
| Indicador | Valor/Comentário |
|---|---|
| Lucro 2.º trimestre 2026 (Itaúsa) | R$ 4,3 mil milhões (alta de 7% ano/ano) |
| Estímulos públicos no 1.º semestre | R$ 200 mil milhões em medidas de incentivo |
Implicações para empresas e consumidores
- Juros elevados tendem a encarecer crédito para empresas e consumidores, pressionando investimentos e consumo.
- Endividamento elevado das famílias limita a resposta do consumo a estímulos fiscais.
- A inflação acima do teto da banda do Banco Central complica o quadro de estabilidade de preços e pode influenciar novas decisões de política monetária.
A avaliação expressa pelo presidente da Itaúsa traduz cautela quanto à capacidade dos estímulos fiscais recentes para impulsionar a actividade económica, sublinhando riscos que podem condicionar a evolução da procura interna e das condições de financiamento no curto prazo.
Os comentários surgem num momento em que operadores e analistas monitorizam a combinação entre política monetária, dinâmica do crédito e expectativas eleitorais para aferir os próximos passos da economia brasileira.