O Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola divulgou que a taxa de inflação homóloga em julho fixou‑se em 9,33%, situando‑se pela primeira vez abaixo dos dois dígitos desde que o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) começou a ser compilado sistematicamente, em 2015.
Segundo a nota do INE, o valor de julho representa uma desaceleração de 0,78 pontos percentuais face ao mês anterior e uma queda de 10,15 pontos relativamente ao mesmo período de 2025, confirmando a continuação da trajectória de descida dos preços.
Distribuição geográfica e classes de despesa
Apesar da redução a nível nacional, seis províncias mantêm taxas de inflação em dois dígitos. As maiores pressões inflacionistas foram registadas em:
- Cabinda: 13,09%
- Malanje: 12,01%
- Lunda Sul: 11,40%
No extremo oposto, as províncias com as taxas mais baixas foram:
- Cuanza Norte: 6,00%
- Huambo: 6,59%
- Cunene: 6,86%
| Províncias (maiores) | Taxa (%) | Províncias (menores) | Taxa (%) |
|---|---|---|---|
| Cabinda | 13,09 | Cuanza Norte | 6,00 |
| Malanje | 12,01 | Huambo | 6,59 |
| Lunda Sul | 11,40 | Cunene | 6,86 |
Por categorias de despesa, o INE aponta variações homólogas distintas entre os agregados que compõem o cabaz do IPCN. Destacam‑se os aumentos mais acentuados em:
- Educação: 25,24%
- Alimentação e bebidas não alcoólicas: 10,40%
- Habitação, água, electricidade e combustíveis: 10,17%
- Saúde: 10,16%
Por outro lado, as classes com menores subidas de preços foram os transportes (3,65%), lazer, recreação e cultura (4,73%) e hotéis, cafés e restaurantes (5,40%).
Metodologia e representatividade
O IPCN mede a evolução dos preços de um cabaz de bens e serviços em todo o território nacional e, conforme as notas metodológicas do INE, é compilado de forma sistemática desde janeiro de 2015, cobrindo as 18 províncias do país. O sistema assenta numa amostra de 1.193 estabelecimentos comerciais e mercados, que garante a representatividade dos pontos de venda selecionados.
Interpretação e consequências
A descida para um dígito constitui um marco estatístico e pode arredar alguma pressão sobre o custo de vida, mas a leitura dos dados por província e por categorias revela que há sectores e regiões que continuam a enfrentar aumentos significativos. Em particular, o forte aumento nos custos da educação (mais de 25%) é uma fonte de preocupação para as famílias, porque se trata de uma despesa essencial e recorrente.
Além disso, a persistência de inflação em dois dígitos em metade das províncias sublinha diferenças regionais importantes na dinâmica dos preços, que podem reflectir variações na oferta, nas cadeias logísticas ou em choques específicos locais. A desaceleração global da taxa homóloga não elimina, portanto, fragilidades sectoriais e geográficas.
Para monitorizar a evolução do poder de compra dos agregados familiares e eventuais repercussões sobre a política económica, será importante acompanhar os próximos boletins do INE e outros indicadores complementares, nomeadamente salários, emprego e custos regulados, sem prejuízo das medidas que o Governo ou autoridades económicas possam considerar para mitigar pressões sobre os segmentos mais vulneráveis.
O IPCN, como instrumento de referência para a medição dos preços ao consumidor em Angola, continua a fornecer a base de dados necessária para esse acompanhamento.