Em declarações feitas em Vaughan, na região de Toronto, o presidente do Governo Regional dos Açores afirmou que o arquipélago se apresenta «de braços abertos» ao regresso dos açorianos e das suas diásporas e realçou as áreas económicas onde a região procura atrair investimento e mão de obra qualificada.
Convite ao regresso e limites legais
José Manuel Bolieiro disse, perante jornalistas, que a Região está empenhada em criar condições para quem decide voltar a viver nos Açores, admitindo contudo que a competência sobre as leis de imigração pertence ao Estado português. «Nós não controlamos a lei da imigração, porque isso é o Estado português que controla. Mas nós recebemos bem aqueles que entram em Portugal e escolhem os Açores para viver», afirmou.
«Fazemos muito e estamos de braços abertos para receber os regressos»
O presidente do executivo regional vincou que, nos últimos anos, se registou um «aumento significativo de imigrantes residentes» no arquipélago, sublinhando que esse movimento tem trazido conhecimento, trabalho e investimento que reforçam a economia local. Em simultâneo, apontou a baixa taxa de desemprego regional como um factor de confiança na economia açoriana.
Condições para regressados
Nas intervenções, Bolieiro referiu um conjunto de condições consideradas relevantes para quem pondera regressar, com destaque para o acesso ao sistema de segurança social e aos cuidados de saúde através do Serviço Regional de Saúde. O chefe do Governo Regional mencionou ainda os emigrantes reformados que optam por regressar e os membros da diáspora que adquirem habitação ou procuram oportunidades de investimento.
Recordando as especificidades insulares — onde o acesso a serviços públicos e a mobilidade são preocupações constantes — o responsável regional enfatizou a necessidade de criar respostas que facilitem a integração dos regressados nas ilhas, tanto nas áreas urbanas como nas comunidades rurais mais dispersas.
Setores com potencial para investimento
Quanto a sectores económicos com maior potencial para atrair retornados e capital, Bolieiro apontou várias áreas estratégicas:
- Turismo — valorização do património natural e experiências ligadas ao mar;
- Imobiliário — oportunidades para aquisição de habitação e reabilitação;
- Economia do mar — criação de um cluster do mar;
- Economia digital e novas tecnologias — atração de profissionais qualificados;
- Ciências e investigação — desenvolvimento científico e projectos de I&D;
- Sector espacial — intenção de criar um cluster espacial a partir do arquipélago.
O governante apontou, em particular, a ambição de desenvolver dois clusters — um ligado ao mar e outro ao espaço — como motores de atracção para profissionais qualificados e para investimento estrangeiro, aproveitando a localização estratégica e os recursos naturais das ilhas.
Impacto demográfico e emprego
Sem avançar números concretos na sessão em Toronto, Bolieiro referiu que a imigração contribuiu para o aumento da população açoriana e que o mercado de trabalho regional apresenta sinais de robustez, com uma taxa de desemprego considerada baixa pelo executivo. O presidente acrescentou que a entrada de residentes estrangeiros tem sido positiva para o tecido económico, ao complementar necessidades de mão de obra.
| Assunto | Posição do Governo Regional |
|---|---|
| Acolhimento de regressados | Disponibilidade e condições sociais e de saúde |
| Imigração | Competência do Estado, mas acolhimento local |
| Áreas de investimento | Turismo, imobiliário, economia do mar, digital, ciências e espaço |
Para as comunidades insulares, a concretização destas metas passa por articular políticas de habitação, serviços públicos e atracção de empresas que permitam não apenas o regresso de indivíduos, mas também a criação de empregos qualificados sustentáveis nas ilhas. A insularidade implica desafios logísticos e custos adicionais que as autoridades regionais têm de ter em conta na promoção do regresso e do investimento.
A visita a Toronto, onde residem muitos membros da diáspora açoriana, integra uma agenda de aproximação às comunidades emigrantes e de promoção das oportunidades do arquipélago. O discurso de Bolieiro pretendeu combinar um convite ao regresso com a apresentação de áreas económicas promissoras, sem, no entanto, assumir competências que pertencem ao Estado central, como as regras de imigração.
O apelo dirigido aos açorianos e aos descendentes no estrangeiro insere‑se num esforço mais amplo do executivo regional para inverter tendências demográficas e reforçar sectores estratégicos da economia insular, tendo em conta a importância do mar e a necessidade de qualificação profissional em ilhas dispersas.