Decisão passa gestão operacional da ZLT para o Tagusvalley
O Governo decidiu atribuir à Zona Livre Tecnológica (ZLT) de Abrantes parte da capacidade elétrica disponível na antiga central do Pego e vai delegar a sua gestão operacional no Tagusvalley — Parque de Ciência e Tecnologia localizado no concelho. O anúncio foi feito hoje pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, no final de uma visita ao Tagusvalley, onde se reuniu com o município e avaliou projectos estruturantes para Abrantes e o Médio Tejo.
Segundo a ministra, «ficou hoje aqui também decidido que haverá uma parte que será atribuída à Zona Livre Tecnológica», referindo-se directamente à capacidade de ligação à rede elétrica associada ao Pego. A operacionalização dessa gestão, atualmente atribuída por lei à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), passará a ser feita localmente através de um protocolo a celebrar com o Tagusvalley.
Reacção autárquica e prioridades locais
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, valorizou a decisão e considerou-a «uma excelente notícia». A transferência da gestão operacional para uma entidade local como o Tagusvalley é vista pelo município como um mecanismo que pode acelerar decisões e adequar a gestão da ZLT às dinâmicas regionais.
Na explicação pública, a ministra sublinhou que Abrantes reúne quatro recursos que classificou como «escassos a nível mundial»: acesso à rede eléctrica, água, conhecimento técnico e de engenharia e território industrial. Esses factores, segundo Maria da Graça Carvalho, permitem ao concelho ser criterioso na selecção de investimentos capazes de criar riqueza e emprego.
«Abrantes reúne quatro recursos escassos a nível mundial: acesso à rede eléctrica, água, conhecimento técnico e de engenharia e território industrial»
Contexto: ZLT, Pego e transição pós-central a carvão
A Zona Livre Tecnológica foi delimitada em 2025 e regulamentada em março deste ano, num processo relacionado com a transição económica e territorial após o encerramento, em 2021, da central termoelétrica a carvão do Pego. A ZLT abrange áreas ligadas ao Pego, ao Tagusvalley e à zona industrial de Tramagal, e nasceu com o objectivo de atrair projectos tecnológicos e industriais que aproveitem a infraestrutura eléctrica e outros recursos locais.
Além da transferência de parte da capacidade eléctrica, durante a reunião foi também analisada a recuperação de linhas de água afectadas pelos temporais. A ministra indicou que já foram disponibilizados cerca de 200 mil euros para intervenções, embora tenha referido que ainda permanecem trabalhos por concluir.
Impactos e desafios para Abrantes
Para Abrantes, a atribuição de capacidade eléctrica e a descentralização da gestão operacional representam oportunidades e desafios simultâneos. Por um lado, a existência de capacidade de ligação e a sua gestão local podem acelerar o acolhimento de projectos industriais e tecnológicos, potenciando criação de emprego e aproveitamento de competências técnicas locais. Por outro, impõem a necessidade de uma estratégia clara de selecção de investimentos para garantir que estas vantagens se traduzam em benefícios sustentáveis para a população e para o tecido económico.
- Oportunidade: maior capacidade de atrair investimentos industriais e tecnológicos para Abrantes.
- Risco: necessidade de gerir de forma criteriosa os recursos escassos para evitar desvios pouco produtivos.
- Seguimento: protocolo entre DGEG e Tagusvalley para delegação da gestão operacional da ZLT.
| Elemento | Estado/Observação |
|---|---|
| Capacidade eléctrica do Pego | Parcialmente atribuída à ZLT de Abrantes |
| Gestão operacional da ZLT | Passará do âmbito nacional (DGEG) para o Tagusvalley via protocolo |
| Recursos locais destacados | Rede eléctrica, água, conhecimento técnico, território industrial |
Nas próximas semanas espera-se a formalização do protocolo que definirá os termos da delegação de competências entre a DGEG e o Tagusvalley. Para os residentes e agentes económicos de Abrantes, a atenção centra-se agora no modelo de gestão que será implementado e nas regras de atribuição desses recursos, de modo a assegurar transparência e impacto local efectivo.
A execução dos projectos que vierem a beneficiar desta capacidade eléctrica deverá ser acompanhada de perto pelo município, pelo Tagusvalley e pelas entidades regionais, tendo em vista a manutenção do tecido industrial e do conhecimento técnico que a ministra destacou como activos estratégicos do concelho.