Serviço acumulou dezenas de dias fechada e depende da contratação de novos médicos
O serviço de maternidade do Hospital de Abrantes voltou a registar encerramentos temporários ao longo deste ano, um problema que se arrasta desde 2022 e cuja resolução continua dependente da chegada de profissionais especializados. Segundo informação transmitida pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo à Câmara Municipal, a maternidade esteve 50 dias encerrada em 2025 e outros 32 dias até meados de setembro de 2026.
O quadro clínico actual revela a fragilidade do serviço: existem quatro obstetras no quadro, todos com mais de 60 anos, mas apenas três asseguram a componente de urgência. Para colmatar lacunas nas escalas, a ULS recorre a cerca de 12 médicos prestadores de serviços, cuja disponibilidade varia e condiciona a abertura da urgência obstétrica.
«O actual modelo não é o desejável», reconheceu a ULS do Médio Tejo à autarquia.
Quando a maternidade de Abrantes não tem condições para manter a urgência obstétrica aberta, a ULS articula a resposta com outras unidades da região: as maternidades de Santarém e das Caldas da Rainha são ponto de recurso para partos e atendimento urgente. No terreno, as grávidas que chegam ao hospital são triadas e atendidas na urgência geral e estão disponíveis duas ambulâncias 24 horas para eventuais transferências.
Impacto e evolução recente
Os responsáveis locais já tinham alertado para a acentuação das dificuldades a partir de meados de 2022, em particular pela passagem à reforma de vários especialistas, conforme relatado pelo presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, quando questionado pelo vereador Nuno Serras (Chega). A ULS admite que a estabilização do serviço passa por «a contratação e fixação de novos profissionais».
Apesar dos constrangimentos, os números de 2025 mostram que o Hospital de Abrantes manteve uma actividade significativa: foram realizados 823 partos ao longo do ano, mais 68 do que em 2024. A ULS associa esse aumento à maior procura e à receção de grávidas provenientes de outras regiões quando outras maternidades se encontram com restrições.
- Encerramentos: 50 dias em 2025; 32 dias até meados de Setembro de 2026.
- Recursos humanos: 4 obstetras no quadro (todos com mais de 60 anos); 3 destes asseguram urgências; cerca de 12 médicos prestadores complementam as escalas.
- Resposta em caso de encerramento: articulação com Santarém e Caldas da Rainha; triagem na urgência geral; duas ambulâncias 24 horas para transferências.
| Período | Dias de encerramento |
|---|---|
| 2025 | 50 |
| Jan–meados de Set 2026 | 32 |
Na prática, os fechamentos temporários implicam que grávidas em trabalho de parto sejam encaminhadas para outras unidades, com consequências logísticas e emocionais para as famílias. A presença de ambulâncias de transporte neonatal e materno assegura a transferência, mas não elimina o desconforto e o risco acrescido associado a deslocações em contexto de emergência.
Perspectivas e desafios para Abrantes
Contactada sobre a situação, a ULS do Médio Tejo reafirmou a necessidade de atrair e fixar profissionais de ginecologia e obstetrícia para garantir a estabilidade do serviço. Não foram indicadas datas para concursos ou medidas concretas de retenção, nem houve anúncio de reforço permanente do quadro médico que permita encarar o problema como resolvido a curto prazo.
Para a comunidade de Abrantes, a manutenção de um serviço de maternidade com funcionamento regular é uma prioridade de saúde pública e de proximidade. A dependência de médicos prestadores e as escalas condicionadas por férias e aposentações deixam o serviço vulnerável, com encerramentos que já perfilaram dezenas de dias num período recente.
À medida que se aproxima o final do ano, a ULS e a Câmara mantêm a vigilância sobre a evolução das escalas e sobre possíveis medidas para incentivar a fixação de novos especialistas na região. Até lá, grávidas e profissionais de saúde seguem a adaptar-se a um modelo temporário que, na avaliação da própria ULS, «não é o desejável».