A plataforma de saúde mental Ondivan, nascida em Portugal e com presença já estabelecida em Portugal e no Brasil, anunciou a criação de uma operação dedicada aos Estados Unidos e ao Canadá. A empresa, que reúne atualmente mais de 2.500 psicólogos e diz prestar apoio a pacientes em mais de 20 países, reforça assim a sua estratégia de internacionalização com foco inicial nas comunidades lusófonas nesses mercados.
O que significa a expansão
Segundo a comunicação da empresa, a decisão de abrir uma estrutura específica para os mercados norte-americanos visa responder à procura de emigrantes brasileiros, portugueses e outros falantes de português que procuram acompanhamento psicológico «culturalmente próximo» e no seu idioma materno. A plataforma integra funcionalidades de teleconsulta, gestão clínica, agendamento online, pagamentos internacionais e ferramentas de apoio ao exercício profissional.
- Profissionais registados: mais de 2.500 psicólogos na plataforma;
- Presença internacional: pacientes em mais de 20 países através das operações em Portugal e Brasil;
- Novos mercados: operação dedicada aos Estados Unidos e Canadá, com foco inicial na comunidade brasileira nesses países.
Contexto e alcance tecnológico
A Ondivan, empresa luso‑brasileira especializada em tecnologia para saúde mental e criada em Torres Novas, apresenta um modelo cada vez mais comum entre plataformas digitais de cuidados de saúde: combinar telemedicina com mecanismos administrativos e financeiros que permitem o acompanhamento entre fronteiras. Essa capacidade técnica — pagamentos internacionais e ferramentas clínicas integradas — é sublinhada pela empresa como crítica para garantir continuidade de cuidados a utentes que mudam de país ou que vivem no estrangeiro.
«Mudar de país exige muito mais do que uma adaptação profissional ou social. Exige reconstruir referências, relações e identidade. Muitas pessoas conseguem viver em inglês, mas continuam a precisar de falar sobre as suas emoções em português», afirmou Inês Mata, CEO, psicóloga, psicanalista e fundadora da Ondivan.
Para a região de Torres Vedras e para a restante área de Lisboa e Vale do Tejo, a notícia coloca duas vertentes de interesse: a possibilidade de pacientes e emigrantes locais manterem ligações terapêuticas em português mesmo depois de terem emigrado, e a criação de oportunidades para psicólogos e outros profissionais de saúde mental sediados em Portugal que pretendam trabalhar com comunidades lusófonas no exterior.
| Item | Dados |
|---|---|
| Psicólogos na plataforma | +2.500 |
| Presença de pacientes | Mais de 20 países |
| Novos mercados | Estados Unidos e Canadá (operação dedicada) |
Implicações locais e sectoriais
Na prática, a expansão da Ondivan pode facilitar a continuidade de cuidados para residentes de Torres Vedras que emigraram para a América do Norte ou para familiares que acompanham trajetórias migratórias. Do lado dos profissionais, a plataforma oferece ferramentas que possibilitam o exercício profissional transfronteiriço, o que poderá interessar a psicólogos com competências linguísticas e culturais adequadas.
Em termos mais amplos, a iniciativa reforça a presença de empresas tecnológicas portuguesas no espaço internacional da saúde digital, valorizando soluções capazes de articular tecnologia clínica com necessidades culturais específicas. A operação norte‑americana surge numa altura em que a procura por serviços de saúde mental em língua portuguesa é destacada como uma lacuna por muitos emigrantes, segundo a própria fundadora da Ondivan.
Apesar da origem da empresa em Torres Novas, o movimento revela um ecossistema regional português capaz de gerar serviços com alcance global. Para leitores de Torres Vedras, este desenvolvimento é um sinal da crescente internacionalização de iniciativas nacionais no domínio da saúde e tecnologia, e da forma como essas plataformas podem cruzar realidades locais com demandas das diásporas lusófonas.
As operações nos Estados Unidos e no Canadá representam, segundo a empresa, «um novo passo» na trajetória de crescimento da Ondivan. Resta observar como se irão traduzir em fluxos concretos de atendimento e em oportunidades profissionais para a região.