Ambiente Setúbal Lisboa e Vale do Tejo

Estudo sobre uso de água do Tejo e Castelo de Bode mobiliza debate em Setúbal

A Quercus apoia o estudo do Governo que avalia o reforço do abastecimento ao distrito de Setúbal com água proveniente do Tejo e da albufeira de Castelo de Bode, defendendo análise comparativa com dessalinização e respeito pelos caudais ecológicos.

Estudo sobre uso de água do Tejo e Castelo de Bode mobiliza debate em Setúbal
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Proposta do Governo em análise

O anúncio do Governo de avançar com um estudo para avaliar a possibilidade de reforçar o abastecimento de água ao distrito de Setúbal com recurso a água da albufeira de Castelo de Bode e do rio Tejo suscitou reacções e cautelas por parte da associação ambientalista Quercus, que se manifestou favorável à iniciativa, mas sublinhou condições e preocupações ambientais e financeiras.

Segundo a Quercus, citada em comunicado, a alternativa poderá permitir «diversificar as origens de abastecimento» e aumentar a capacidade de resposta do distrito perante «períodos de seca, falhas técnicas ou outras perturbações no fornecimento».

Preocupações ambientais e condicionantes

A associação alerta, contudo, para «os desafios que o distrito poderá enfrentar nos próximos anos devido às alterações climáticas, crescimento urbano e aumento do consumo de água». Entre os factores que considera relevantes está ainda o impacto potencial da instalação do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete, que, diz a Quercus, «poderá acrescentar pressão sobre os recursos disponíveis».

«Qualquer decisão deve ser precedida de uma análise detalhada das necessidades atuais e futuras de água no distrito, das disponibilidades hídricas perante as alterações climáticas e dos impactos sobre os ecossistemas», afirma a organização.

A Quercus exige o respeito pelos caudais ecológicos e a realização de uma comparação pública e transparente dos custos ambientais, energéticos e financeiros entre as alternativas estudadas, pedindo também que se avaliem as futuras disponibilidades de água subterrânea na região.

Alternativas em discussão

No comunicado, a Quercus defende que o aproveitamento de água de origens já existentes, como Castelo de Bode e o Tejo, poderá apresentar vantagens relativamente à opção de construção de unidades de dessalinização. A associação sublinha que a dessalinização implica «investimentos elevados» e um consumo significativo de energia, o que pode traduzir-se em custos de produção superiores e, consequentemente, em impactos nas tarifas cobradas aos consumidores. Além disso, aponta os problemas de gestão e rejeição de efluentes com elevada concentração salina como um factor ambientalmente relevante.

  • Vantagens apontadas à utilização do Tejo/Castelo de Bode: diversificação de origens, potencial menor custo energético e utilização de recursos já existentes.
  • Riscos e condicionantes: necessidade de preservar caudais ecológicos, impacto sobre ecossistemas e incertezas quanto à disponibilidade futura face às alterações climáticas.
  • Alternativa da dessalinização: maior consumo energético, investimentos elevados e problemas com rejeição de salmoura.
Critério Tejo / Castelo de Bode Dessalinização
Custo energético Potencialmente inferior Elevado
Impacto ambiental Depende do respeito por caudais ecológicos Gestão de efluentes salinos problemática
Investimento inicial Uso de infra‑estruturas existentes pode reduzir custos Elevado

Implicações para Setúbal

Para Setúbal, distrito marcado por pressões urbanísticas e por sectores como a indústria, o turismo e a agricultura, a diversificação das origens de água é apresentada pela Quercus como uma necessidade estrutural. A associação sublinha a importância de que quaisquer opções considerem não apenas o custo financeiro imediato, mas também a sustentabilidade a médio e longo prazo, nomeadamente face a períodos de seca que têm sido mais frequentes e intensos em Portugal.

O estudo agora anunciado pelo Governo deverá, segundo a Quercus, comparar de forma pública e técnica as soluções possíveis, nomeadamente em termos de custos ambientais, energéticos e financeiros, e ser acompanhado por medidas que garantam a salvaguarda dos ecossistemas aquáticos afetados.

Enquanto decorre a avaliação técnica, a Quercus reforça a exigência de transparência e participação pública no processo decisório, de modo a que as soluções escolhidas respondam às necessidades reais do distrito de Setúbal e respeitem os limites ambientais.

Na cidade e em concelhos vizinhos concentra-se a expectativa sobre os resultados deste estudo, que poderá influenciar infra‑estruturas de abastecimento, políticas tarifárias e opções de gestão hídrica nos próximos anos.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

Olá, sou o Leonor, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Lisboa e Vale do Tejo

O seu resumo matinal

As principais notícias de Lisboa e Vale do Tejo, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique