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ERS determina correções no acompanhamento de doentes do Hospital de Vila Franca de Xira

A Entidade Reguladora da Saúde emitiu uma instrução à Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo após concluir que o Hospital de Vila Franca de Xira não assegurou, em vários casos analisados, o direito de acompanhamento e a informação adequada aos familiares, designadamente em situações sensíveis.

ERS determina correções no acompanhamento de doentes do Hospital de Vila Franca de Xira
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Lisboa — A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) emitiu uma instrução à Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo (ULSETejo) depois de concluir que o Hospital de Vila Franca de Xira falhou na garantia do acompanhamento de utentes e na comunicação de informação relevante aos familiares em vários casos analisados.

Deliberação e casos analisados

A deliberação da ERS, tomada a 17 de abril de 2026 e divulgada no conjunto de decisões relativas ao segundo trimestre, determina um conjunto de ajustamentos que a ULSETejo terá de concretizar para cumprir os direitos dos utentes e a obrigação de informação aos seus familiares — em particular em situações de maior sensibilidade clínica.

Entre os factos referidos pela ERS está o caso de uma mulher de 75 anos com diagnóstico de cancro em fase terminal que terá falecido sem que a família tivesse conseguido efetuar a visita, facto que integrou a análise do regulador. A ULSETejo justificou a situação com a elevada afluência de utentes naquele período.

«Não garantiu adequadamente o direito ao acompanhamento de utentes e a informação aos familiares»,

a conclusão que levou à emissão da instrução pela ERS.

Medidas que a ERS exige

Apesar de o documento da ERS não detalhar, no resumo público, todas as medidas concretas a implementar pela ULSETejo, a instrução exige que sejam tomadas ações para que:

  • se assegure o direito de acompanhamento de doentes sempre que for clinicamente possível e legalmente aplicável;
  • se melhore a comunicação com familiares, com informação clara sobre o estado do utente e sobre as possibilidades de visitação;
  • se definam procedimentos específicos para situações sensíveis, como doentes em fase terminal ou de prognóstico agravado.

Fonte oficial da ULSETejo, contactada pela redação, justificou as falhas apontadas com a «afluência de utentes», referindo ainda que a entidade tem vindo a enfrentar elevadas pressões assistenciais. A instituição não apresentou, no entanto, no momento da publicação, um cronograma público com as medidas concretas de correção.

Impacto local e reação de familiares

Em Vila Franca de Xira, a notícia suscitou preocupação entre quem visita regularmente serviços hospitalares e entre profissionais de saúde. A obrigação de facilitação do acompanhamento e da informação assume contornos sensíveis numa cidade onde muitos utentes dependem do apoio familiar para a gestão de doença crónica e cuidados paliativos.

Vários familiares entrevistados nas imediações do hospital manifestaram apreensão sobre a forma como são tratadas visitas em momentos críticos da vida dos doentes. A sensação comum é a de que, perante períodos de maior afluência, se quebram rotinas essenciais que permitem às famílias despedirem‑se ou participarem no cuidado.

Contexto operativo da ULSETejo

O Hospital de Vila Franca de Xira integra a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, que agrega vários estabelecimentos e estruturas de cuidados na região. A ERS, ao publicar esta instrução, exige que a ULSETejo promova alterações que garantam direitos fundamentais dos utentes mesmo em fases de pressão elevada no serviço.

Elemento Registo
Entidade reguladora Entidade Reguladora da Saúde (ERS)
Unidade visada Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo (ULSETejo)
Hospital Hospital de Vila Franca de Xira
Data da deliberação 17 de abril de 2026
Publicação Decisões do segundo trimestre (ERS)

Os próximos passos passam pela apresentação, por parte da ULSETejo, das medidas de correção exigidas pela ERS e pela monitorização da sua implementação. Para os residentes de Vila Franca de Xira, trata‑se de acompanhar de perto esses compromissos, de forma a que os direitos de utentes e famílias sejam efectivamente protegidos, nomeadamente em momentos críticos como o final da vida.

A redacção continuará a procurar esclarecimentos adicionais junto da ERS e da ULSETejo e a recolher testemunhos de familiares e profissionais sobre as mudanças que venham a ser implementadas.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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