Uma atividade que junta mar e rocha
O coasteering voltou a afirmar-se como uma proposta turística e desportiva em Sesimbra, onde, desde 2008, uma empresa local adapta técnicas de escalada e canyoning à linha de costa. A experiência combina natação, pequenas escaladas, slides naturais e saltos para a água, numa lógica de percurso entre dois pontos da costa.
A empresa responsável, criada em 2004 por Jorge Ribeiro e José Saleiro, opera dois itinerários regulares que têm vindo a atrair residentes e visitantes: a Enseada da Mula e o Boca de Tamboril, ambos com duração aproximada de quatro horas. Um dos guias do projeto, Fábio Ricardo, explica que a ideia nasceu da experiência prévia dos sócios com espeleologia e canyoning, depois adaptada ao ambiente costeiro.
«O coasteering percorre uma linha de costa do ponto A ao B. É muito semelhante ao canyoning, que já é um tipo de desporto com mais algum tempo, mas adaptámos a linha de costa com técnicas muito semelhantes, como saltar para a água, natação, slide e pequenas escaladas»,
Condições naturais e prospeção como prioridade
Uma das razões apontadas para a escolha de Sesimbra como palco destas atividades é a proximidade de zonas costeiras relativamente protegidas. Segundo os responsáveis, parte da costa é poupada às correntes e ventos predominantes do quadrante norte, o que permite dias mais estáveis para navegação junto à rocha e para a execução dos percursos.
A segurança é tratada como requisito primordial: antes de cada saída é feita uma prospeção da zona para avaliar o traçado mais adequado e detetar eventuais riscos, nomeadamente a presença de rochas soltas. As técnicas de cordas aplicadas são previamente validadas e coincidem com procedimentos já usados em atividades de escalada e canyoning.
- Fundação da empresa: 2004
- Início do coasteering em Sesimbra: 2008
- Percursos disponíveis: Enseada da Mula e Boca de Tamboril (≈ 4 horas)
- Atividades integradas: natação, escalada, slides, saltos
Dois percursos, perfis distintos
A oferta atual divide-se em dois percursos que se complementam: o primeiro, a Enseada da Mula, nasceu com o projeto e é descrito como o mais versátil, por incluir mais deslocação a pé e um conjunto variado de técnicas; o segundo, Boca de Tamboril, privilegia a componente aquática, tendo menos caminhada e maior exigência de natação.
| Percurso | Caraterística | Duração aproximada |
|---|---|---|
| Enseada da Mula | Mais versátil — caminhada, escalada, rapel, slides e saltos | ~4 horas |
| Boca de Tamboril | Menos caminhada, mais natação | ~4 horas |
Para os operadores, a combinação de prospeção prévia do terreno e o recurso a técnicas já consolidadas em desportos de aventura permite adaptar os exercícios à fragilidade geológica das zonas atravessadas. A monitorização das características das rochas e a seleção cuidadosa de percursos visam reduzir riscos e preservar o espaço costeiro.
Na cidade, moradores e agentes do sector turístico vêm no crescimento do coasteering uma oportunidade para diversificar a oferta local além das praias tradicionais e da pesca, acrescentando atividades que prolongam a época turística para além dos meses de maior afluência. Ao mesmo tempo, salientam a necessidade de conciliar estas iniciativas com a preservação ambiental e com a segurança de quem as pratica.
Os percursos oferecidos pela empresa podem ser feitos com acompanhamento de guias experientes, que orientam os participantes quanto às técnicas de progressão junto à rocha e às normas de segurança. A prática exige, por isso, alguma capacidade física e conforto com a água, características que os guias avaliam antes de iniciar cada saída.
Em Sesimbra, o coasteering condensa a relação entre mar e terra que define grande parte da identidade local: um convite a explorar em segurança a linha costeira, respetivas grutas e recantos escondidos, sempre com atenção à preservação do ambiente marítimo e rochoso.