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Em Oeiras, padeiro-amador ressuscita sabores «de antigamente» e vende pão em seis locais

Com receitas inspiradas nas memórias da avó e fermentações lentas, o projeto «Pão do Alex» instala-se em seis pontos do concelho de Oeiras. O autor mantém a actividade de panificação em paralelo com uma carreira de mais de 25 anos na área da saúde.

Em Oeiras, padeiro-amador ressuscita sabores «de antigamente» e vende pão em seis locais
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Um regresso ao pão caseiro em Oeiras

Em várias mesas do concelho de Oeiras já se encontra um pão que, segundo quem o prova, «sabe a antigamente». O produto é obra de Alexandre Andrade, 50 anos, natural de Tomar, que transformou memórias familiares em pão e em negócio: o Pão do Alex é hoje vendido em seis locais diferentes do município.

A narrativa que acompanha a produção é simples e próxima: memórias da avó a fazer pão caseiro, as cheiras e o prazer de comer pão ainda quente com manteiga. Essas lembranças orientaram técnicas e receitas que privilegiam fermentações lentas e farinhas menos usuais, numa tendência de retorno a sabores e texturas deixados para trás pela industrialização.

Um projeto paralelo à carreira na saúde

Ao contrário de histórias de mudança radical de vida, a panificação não substituiu a carreira anterior de Alexandre. Licenciado em Análises Clínicas e Saúde Pública e mestre em Genética Molecular e Biomedicina, o fundador do Pão do Alex mantém um vínculo de longa data com a área da saúde, onde conta com mais de 25 anos de experiência. A actividade da padaria foi construída «em paralelo» a essa carreira.

Antes de se dedicar ao pão, Alexandre frequentou um Curso Intensivo de Cozinha na Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal, experiência que lhe deu algum contacto com cozinhas profissionais, embora os horários não fossem compatíveis com a actividade hospitalar.

Receitas e memórias: o pão Moleiro

Entre as variantes que o projeto comercializa destaca-se o Moleiro, descrito como próximo do pão tradicional ribatejano, e outras propostas que procuram recuperar aromas e texturas de outros tempos. A génese da aventura surgiu de forma inesperada, a partir de uma observação dos ingredientes de um pão comprado e da vontade de experimentar em casa.

«Havia sempre um pouco de massa que ela dizia que tinha sobrado. Juntava-lhe um pouco de açúcar e levava-a ao forno juntamente com os restantes pães», recorda Alexandre, descrevendo a memória que o ligou ao ofício.

Segundo o próprio, o gosto pela panificação surgiu assim sem ruptura com a actividade profissional: «Nunca houve um momento em que tenha decidido abandonar a área da saúde para me dedicar à padaria», afirma, reforçando o carácter complementar e afectivo deste projecto.

Impacto local e opções para consumidores

O crescimento da procura por produtos artesanais e com fermentações mais demoradas tem permitido que o Pão do Alex encontre mercado em vários pontos do concelho. O facto de estar já presente em seis pontos de venda revela que há espaço em Oeiras para iniciativas que valorizam práticas tradicionais de produção alimentar.

  • Origem: memórias familiares e prática de panificação caseira.
  • Perfil do responsável: 50 anos, formação em saúde e biomedicina, curso de cozinha.
  • Oferta: pães com fermentações lentas, entre os quais o «Moleiro».
  • Distribuição: vendido em seis locais no concelho de Oeiras.
Característica Dados
Idade do produtor 50 anos
Formação académica Licenciatura em Análises Clínicas e Saúde Pública; Mestrado em Genética Molecular e Biomedicina
Pontos de venda 6

Na cidade, a iniciativa insere‑se num movimento mais vasto de revalorização de produtos tradicionais e da procura por alimentos com origem e processos mais visíveis. Para muitos consumidores oeirenses, o regresso a pães de fermentação lenta constitui não só uma opção de sabor como também um acto de consumo consciente.

Do lado do produtor, a resposta do mercado confirma a existência de um público disposto a pagar por pães distintos, feitos com tempo e técnicas artesanais. À medida que o Pão do Alex se consolida, a aposta mantém‑se numa produção que privilegia a memória e a qualidade, sem romper com a trajectória profissional que Alexandre assegura na área da saúde.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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