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Elefantes de Santarém regressam ao Alporão e voltam a integrar núcleo museológico

Duas esculturas indo-portuguesas do século XVI, pesando cerca de uma tonelada cada, serão colocadas de novo na Igreja de São João do Alporão a 19 de setembro, no âmbito das celebrações do 150.º aniversário do Museu Municipal e das Jornadas Europeias do Património.

Elefantes de Santarém regressam ao Alporão e voltam a integrar núcleo museológico
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

As emblemáticas esculturas conhecidas como Elefantes de Santarém voltam a estar expostas ao público a partir de 19 de setembro, com uma cerimónia marcada para as 18h00 na Igreja de São João do Alporão. As peças, datadas do século XVI e de estilo indo-português, regressam depois de décadas preservadas na Reserva Museológica Municipal.

Regresso integrado nas comemorações do Museu Municipal

A recolocação insere-se nas celebrações do 150.º aniversário do Museu Municipal de Santarém e na programação das Jornadas Europeias do Património. As duas esculturas vão passar a integrar novamente o Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia depois da requalificação do espaço, segundo a comunicação municipal.

«As duas peças passam a integrar novamente o Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia, num regresso a um espaço ao qual estiveram ligadas durante vários anos e que foi recentemente requalificado.»

Trajectória histórica das esculturas

As peças foram originalmente concebidas como suportes de uma arca tumular ou de um jazigo construído no século XVI. Entraram para o património municipal em 1907, por doação de Maria Luísa da Silva Pedroso, viúva de António Mendes Pedroso, e tiveram várias localizações ao longo do século XX.

  • Colocadas inicialmente no Jardim da República;
  • Posteriormente transferidas para o Museu Municipal, onde permaneceram junto à entrada principal até 1993;
  • Em meados do século XX estiveram também junto à entrada da Igreja de São João do Alporão, exposição exterior que levou à sua degradação e atos de vandalismo;
  • Em 1993 foram recolhidas para trabalhos de recuperação e colocadas na Reserva Museológica Municipal, no edifício do Arquivo Municipal.

Cada uma das esculturas pesa cerca de uma tonelada e são feitas num tipo de calcário que liberta um odor característico quando pressionado — uma particularidade que, relatam antigos visitantes, despertava a curiosidade das crianças e ajudou a transformar as figuras em imagens muito populares entre várias gerações de scalabitanos.

Preservação e visibilidade pública

Apesar de terem sido retiradas da exposição permanente há décadas, os Elefantes de Santarém não desapareceram completamente do rosto público: participaram pontualmente em iniciativas dedicadas ao património local, incluindo uma instalação no CNEMA. A colocação agora anunciada pretende devolver às peças parte da visibilidade que tiveram até à sua retirada para conservação.

O regresso ao Alporão decorre também numa altura em que o Município tem vindo a reforçar ações de conservação e reabilitação dos espaços patrimoniais, procurando conciliar proteção com fruição pública. A opção por reintegrar as esculturas no Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia faz-se numa lógica de permitir o contacto do público com as peças num espaço requalificado e protegido.

Data Evento
Século XVI Concepção das esculturas como suportes de arca tumular
1907 Integram o património municipal por doação
Até 1993 Expostas junto à entrada principal do Museu Municipal
1993 Recolhidas para trabalhos de recuperação e colocadas na Reserva Museológica
19 de setembro de 2026 Recolocação na Igreja de São João do Alporão (cerimónia às 18h00)

Para muitos habitantes de Santarém, o regresso das esculturas representa mais do que a reposição de dois objectos: é a restituição de elementos que fizeram parte da memória colectiva urbana. Nas conversas de rua e nos cafés junto ao Jardim da República, a expectativa é de que a nova exposição permita apreciar as peças com maior segurança e contexto interpretativo, evitando a exposição direta que levou à sua deterioração no passado.

A cerimónia de 19 de setembro, aberta à população, será uma oportunidade para que residentes e visitantes voltem a ver de perto duas obras que ligam a cidade a um período histórico onde as trocas culturais entre Portugal e o subcontinente indiano deixaram marcas materiais, estéticas e simbólicas.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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