A economia circular pode representar uma poupança material para as famílias portuguesas através de práticas simples como planear as compras, evitar o desperdício alimentar, reparar em vez de substituir e optar por produtos em segunda mão, sublinha a associação Smart Waste.
Dados recentes e a dimensão do desperdício
Os números provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2024 revelam que em Portugal foram desperdiçadas mais de 1,8 milhões de toneladas de alimentos, o que corresponde a cerca de 161,2 kg por habitante. Do total estimado, aproximadamente 65% teve origem no consumo doméstico — um indicador da margem de intervenção junto dos lares.
«Este desperdício tem também uma expressão financeira», alerta a Smart Waste.
Uma estimativa citada pela associação, baseada num estudo da organização Too Good To Go em 2024 sobre dados europeus, aponta para um custo em alimentos não consumidos de cerca de 350 euros por pessoa por ano. Numa família de três pessoas, o montante aproximado ascende a quase 1.000 euros anuais, segundo a associação.
Medidas práticas e impacto na carteira
A Smart Waste destaca medidas quotidianas que podem reduzir tanto o desperdício como a despesa familiar. Entre as ações recomendadas estão:
- planear as refeições e as compras para evitar compras duplicadas;
- verificar o que já existe em casa antes de adquirir novos produtos;
- conservar corretamente os alimentos e reaproveitar sobras;
- ler adequadamente os rótulos, distinguindo a data-limite de consumo da indicação «consumir de preferência antes de»;
- optar pela reparação de equipamentos e bens sempre que compensar financeiramente.
Na vertente dos bens duradouros, a associação lembra números do Parlamento Europeu que colocam em evidência o custo evitável associado à substituição precoce de produtos: consumidores da União Europeia gastam colectivamente cerca de 12 mil milhões de euros por ano na reposição de artigos que poderiam ser reparados.
Comparações e implicações
Traduzir a circularidade em economia doméstica passa por comparar o custo de reparação com o de um bem novo, bem como por considerar o tempo de vida adicional do produto. A Smart Waste salienta que pedir um diagnóstico e fazer essa comparação pode evitar despesas significativas e reduzir a necessidade de consumo frequente.
Do ponto de vista macroeconómico, as medidas de economia circular sugeridas têm implicações para a redução da pressão sobre cadeias de produção e desperdício, bem como para a diminuição de custos correntes dos agregados. Se uma parte substancial das famílias adotasse as práticas sugeridas, a diminuição do desperdício alimentar e a maior longevidade dos bens poderiam traduzir-se numa redução relevante do consumo de recursos e do gasto doméstico.
O papel das políticas e das organizações
Para que os benefícios se materializem em larga escala é necessária uma combinação de acções: campanhas de sensibilização sobre leitura de rótulos e conservação de alimentos, incentivos à reparação, facilitação de mercados de segunda mão e programas que apoiem a redistribuição de excedentes alimentares. A Smart Waste e outras entidades do sector sublinham a necessidade de informação acessível aos consumidores para que as escolhas sejam eficazes.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Desperdício total de alimentos (2024, provisório) | 1,8 milhões de toneladas |
| Desperdício por habitante | 161,2 kg |
| Percentagem atribuída ao consumo doméstico | 65% |
| Custo estimado por pessoa em alimentos desperdiçados (Too Good To Go) | 350 € / ano |
| Gasto anual evitável na UE em substituições (Parlamento Europeu) | 12 mil milhões € |
As recomendações da Smart Waste articulam-se com princípios de poupança doméstica e sustentabilidade. Adoptá-las não só reduz custos imediatos, como também contribui para objetivos ambientais e para um uso mais eficiente dos recursos. Para as famílias portuguesas, a implementação destas práticas representa, de acordo com as estimativas citadas, uma oportunidade concreta de poupança anual apreciável.