Durante um ano de cooperação operacional no Aeroporto Humberto Delgado, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Polícia Nacional da Irlanda ('An Garda Síochána') identificaram 206 situações de irregularidade envolvendo passageiros com destino à Irlanda, informou esta quinta-feira a PSP.
Maioria dos incidentes envolvendo documentos falsos
Segundo o balanço oficial, entre 01 de julho de 2025 e 30 de junho de 2026 a maior fatia das situações (113 casos) esteve relacionada com documentos falsificados ou contrafeitos. Outros episódios detectados incluíram passageiros sem o visto necessário, uso de documentos por terceira pessoa e abusos do regime de circulação com o Reino Unido.
- 113 casos de documentos falsificados ou contrafeitos
- 76 passageiros sem visto necessário para viajar para a Irlanda
- 9 situações de prestação de informação suscetível de comprometer avaliação de condições de viagem
- 6 utilizações de documento por pessoa diferente do respetivo titular
- 2 casos relacionados com uso abusivo do acordo "Common Travel Area"
«contribuiu para prevenir viagens de passageiros que não reuniam as condições documentais necessárias e para reforçar a deteção de fenómenos associados à imigração irregular e à fraude documental»
O dispositivo foi implementado no âmbito de um memorando de entendimento entre a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP e a Garda National Immigration Bureau (GNIB). Durante este período, esteve destacado no aeroporto um oficial de ligação da GNIB, que trabalhou diariamente em articulação com os guardas de fronteira da PSP e com as companhias aéreas, particularmente na análise de passageiros com destino à República da Irlanda.
Impacto local e operacional
O circuito de verificação implementado no Aeroporto Humberto Delgado tem reflexos diretos para a cidade. Para além de contribuir para a segurança das fronteiras, a presença permanente de um oficial de ligação estrangeiro altera rotinas de controlo documental e exige maior coordenação com as transportadoras aéreas. Passageiros frequentes e agentes aeroportuários que contactámos em Lisboa destacaram um aumento da exigência documental nas filas de embarque para voos com destino à Irlanda.
Um trabalhador do setor de assistência em terra, que pediu anonimato, afirmou que «há mais atenção» à documentação desde que o oficial da GNIB passou a trabalhar no aeroporto. Esta observação casa com a nota da PSP sobre o carácter quotidiano e estreito da articulação entre forças.
Dados detalhados
| Período | Incidências detetadas |
|---|---|
| 01/07/2025 — 30/06/2026 | 206 |
| Documentos falsificados/contrafeitos | 113 |
| Sem visto para Irlanda | 76 |
| Outros (informação comprometida, uso por terceiros, CTA) | 17 |
Da soma das categorias resulta o total apresentado pela PSP. A corporação sublinha que este foi o primeiro ano de cooperação operacional permanente no aeroporto com a GNIB e que o trabalho conjunto «contribuiu para prevenir viagens de passageiros que não reuniam as condições documentais necessárias».
Para Lisboa, cidade que abriga o principal aeroporto internacional do país, a experiência com a polícia irlandesa constitui um exemplo de cooperação transnacional que visa não só a prevenção de fraudes documentais como a manutenção da segurança nos fluxos aéreos. Fontes oficiais não adiantaram, contudo, metas futuras ou alterações permanentes ao dispositivo para além da continuação do entendimento entre as forças policiais.
Enquanto a articulação entre PSP, GNIB e companhias aéreas se mantém, passageiros com voos para a Irlanda devem estar atentos às exigências documentais e antecipar-se na apresentação de vistos e comprovativos para evitar constrangimentos no embarque.