Incidência de javalis no Parque Natural de Sintra‑Cascais preocupa residentes de Cascais
O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) estima que, no ano cinegético 2025‑2026, tenham sido abatidos pelo menos 141 javalis no Parque Natural de Sintra‑Cascais (PNSC). Ao mesmo tempo, a direção regional de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo admite que a população desta espécie em Portugal continental «ande pelos 300 mil exemplares».
Os números constam de dados divulgados pelo ICNF e remetem para preocupações que se têm vindo a intensificar junto das populações locais de Cascais e arredores: danos em áreas agrícolas e jardins, riscos de colisões rodoviárias, e impacto sobre a biodiversidade e os percursos pedestres do PNSC.
Autorização de abates: Cascais sem selos atribuídos, Sintra concentra pedidos
Segundo o ICNF, no ano cinegético 2025‑2026 não foram atribuídos selos vermelhos (autorizações para correção de densidades) nem selos amarelos (para caça em geral) para abate de javalis no concelho de Cascais. Pelo contrário, no concelho de Sintra registaram‑se vários pedidos e autorizações, que o organismo considera majoritariamente relacionados com o PNSC.
- 141 javalis abatidos no Parque Natural de Sintra‑Cascais (ano cinegético 2025‑2026).
- 0 selos vermelhos e 0 selos amarelos atribuídos a Cascais, segundo o ICNF.
- Em Sintra: 22 pedidos de selos vermelhos (resultando em 131 selos atribuídos) e 5 pedidos de selos amarelos (com 70 selos atribuídos).
«A taxa de extração é reduzida e, nos moldes atuais, não se afigura como suficiente para controlar a população de javali e os impactos que esta representa», refere o Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal.
Estudo nacional e recomendações
O Plano Estratégico e de Ação do Javali em Portugal, promovido pelo ICNF e elaborado pela Universidade de Aveiro em dezembro de 2022, apresentou uma estimativa nacional de 277.385 javalis para o continente, com um intervalo que vai de 163.157 a 391.612 exemplares. Embora esse trabalho careça de atualização, a direção regional do ICNF citada pela Lusa considerou plausível que a população atual esteja próxima dos 300 mil.
O próprio relatório aponta que, «nos moldes atuais», a taxa de extração não é suficiente para controlar a população e os impactos associados. Por isso, recomenda um aumento do esforço de caça como medida para tentar reduzir a densidade de javalis em vida selvagem.
| Indicador | Valor (ano cinegético 2025‑2026) |
|---|---|
| Javalis abatidos no PNSC | 141 |
| Estimativa nacional de javalis (estudo 2022) | 277.385 (intervalo 163.157–391.612) |
| Estimativa aproximada atual (direção regional ICNF) | ~300.000 |
| Selos atribuídos em Cascais | 0 |
| Selos atribuídos em Sintra | 131 (vermelhos) / 70 (amarelos) |
Impacto local e respostas possíveis
No terreno, moradores de zonas periurbanas de Cascais relatam encontros esporádicos com javalis em áreas verdes e parques próximos à serra. Embora o ICNF não tenha atribuído selos ao concelho, a proximidade do PNSC faz com que a dinâmica populacional dos suínos selvagens repercuta diretamente em freguesias que limitam a área protegida.
Especialistas sublinham que o controlo do javali não passa apenas por abates pontuais: envolve gestão integrada do território, vigilância de pontos críticos, prevenção de acessos a áreas urbanas e colaboração entre câmaras, forças de segurança e entidades de conservação. O Plano Estratégico e de Ação do Javali recomenda explicitamente o reforço do esforço cinegético como uma das medidas a implementar.
Para os munícipes, isso coloca questões práticas sobre horários de circulação em caminhos pedonais, resguardos para animais domésticos e necessidade de campanhas de sensibilização sobre comportamento em caso de encontro com estes animais. As autoridades locais e regionais terão de ponderar, nas próximas reuniões de gestão do PNSC e de proteção civil, que combinações de medidas aplicar, conciliando segurança pública, conservação da natureza e atividade agrícola.
O ICNF e a direção regional de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo são as entidades referidas para dados e decisões, e o relatório de 2022 da Universidade de Aveiro continua a servir de referência técnica até à sua atualização.