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Barómetro coloca Lisboa a duas velocidades: economia forte, qualidade de vida com lacunas

Relatório da NOVA IMS e do IPQ mostra que a Região de Lisboa apresenta um desempenho económico acima da média nacional, mas revela fragilidades em habitação, saúde, segurança e acesso a espaços verdes.

Barómetro coloca Lisboa a duas velocidades: economia forte, qualidade de vida com lacunas
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Região com riqueza superior mas pendências no dia a dia

Lisboa apresenta um desempenho económico claramente superior à média nacional, mas enfrenta «duas velocidades» quando se analisa a qualidade de vida dos seus residentes, conclui o novo Barómetro da Qualidade elaborado pela NOVA IMS em parceria com o Instituto Português da Qualidade (IPQ). O estudo combina indicadores estatísticos e perceções dos cidadãos para traçar um retrato simultaneamente dinâmico e desigual da região.

Segundo os dados divulgados, o PIB per capita da Região de Lisboa situa‑se em 30.439,7 euros, cerca de 30% acima da média nacional (23.430,3 euros). A região destaca‑se também na escolarização e na atividade empresarial: a taxa de escolarização no ensino superior atinge 62,2% (vs. 43,1% em Portugal) e a taxa de constituição de pessoas coletivas chega a 4,4% (vs. 3,3% nacional).

Fragilidades que afetam o dia a dia

Estas vantagens económicas não se traduzem, porém, em melhor qualidade de vida em todas as frentes. O barómetro chama a atenção para várias áreas onde Lisboa fica mais fragilizada em comparação com o resto do país.

  • Habitação: a taxa de sobrecarga das despesas com a casa atinge 9,6% na região, superior à média nacional de 6,9%.
  • Saúde e Acessibilidade: o estudo ressalta limitações no acesso a serviços e infraestruturas essenciais, embora o relatório não detalhe no comunicado os valores específicos destes indicadores.
  • Segurança: a taxa de furtos ou roubos por esticão e na via pública é de 1,3 por mil habitantes, quase o dobro dos 0,7 por mil observados a nível nacional.
  • Habitação recente: apenas 15,7% dos alojamentos da região foram construídos depois de 2000, abaixo da média nacional de 19,4%.
«O PIB per capita da Região de Lisboa é cerca de 30% superior à média nacional»

O contraste entre indicadores económicos positivos e fragilidades sociais evidencia-se também no mercado de trabalho. Apesar de uma taxa de desemprego mais baixa entre pessoas com ensino superior (4,3% na região vs. 5,9% nacional), a proporção de desempregados de longa duração é superior em Lisboa (3,5% vs. 2,4% no país).

Consequências locais e desafios para políticas públicas

Para quem vive em Lisboa, a dualidade descrita pelo barómetro traduz‑se em realidades díspares: bairros e perfis profissionais beneficiam de oportunidades e rendimentos mais elevados, enquanto outras camadas da população enfrentam custos habitacionais elevados, menor oferta de habitação nova e preocupações crescentes com a segurança nas ruas.

Profissionais contactados pela nossa equipa apontam que a elevada pressão sobre os custos da casa pode agravar a exclusão de famílias com rendimentos médios e baixos, pressionando deslocações para concelhos periféricos e aumentando tempos de deslocação. A escassez relativa de alojamento construído recentemente indica ainda desafios na oferta de habitação adequada às necessidades atuais.

Indicador Região de Lisboa Média nacional
PIB per capita 30.439,7 € 23.430,3 €
Taxa de escolarização no ensino superior 62,2% 43,1%
Taxa de sobrecarga das despesas com a habitação 9,6% 6,9%
Furtos/roubos por esticão e na via pública 1,3 por mil 0,7 por mil

O barómetro serve, deste modo, como um alerta para decisão política e intervenção local. Medidas direcionadas para a habitação — quer por via de promoção de construção nova, quer por mecanismos de apoio à rendas —, reforço das políticas de segurança de proximidade e investimento em serviços de saúde e espaços verdes são apontadas implicitamente como prioridades para reduzir as assimetrias.

Para os lisboetas, o resultado é um cenário de oportunidades económicas combinado com preocupações imediatas no quotidiano: rendimentos mais altos e maior dinamismo empresarial convivem com pressões no custo da habitação, sensação de insegurança e insuficiência de renovação do parque habitacional. O desafio para as autoridades locais e governativas passa por alinhar crescimento económico com políticas capazes de melhorar, de forma tangível, a qualidade de vida na cidade e na região.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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