Comerciantes e associação pedem ação e alertam para crescente sentimento de insegurança
A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) voltou a lançar um apelo público para um reforço do policiamento e para a instalação de videovigilância na Baixa de Lisboa, depois de, segundo a associação, uma turista ter sido baleada naquela área da cidade. Numa carta aberta dirigida ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), a ADBP sublinha a «profunda preocupação com o crescente sentimento de insegurança vivido diariamente na Baixa de Lisboa».
Em declarações à TSF, o presidente da associação, Manuel Lopes, descreveu que, apesar de não sentir mudanças imediatas na realidade do dia a dia, persiste a esperança num reforço policial «muito em breve». «Promessas, promessas, promessas», disse Manuel Lopes, apontando para uma frustração acumulada entre comerciantes que, segundo ele, têm reportado problemas persistentes.
«Queremos acreditar e confiamos que a polícia vai receber ordens para ser mais acutilante na vigilância. Vamos esperar», afirmou Manuel Lopes.
Problemas apontados e impacto no comércio
Na carta e nas declarações à comunicação social, a ADBP enumera vários fenómenos que, na perspetiva dos comerciantes, têm contribuído para o aumento do sentimento de insegurança:
- Roubos e assaltos a estabelecimentos;
- entradas em lojas para subtrair produtos de maior valor;
- toxicodependência e consumo de estupefacientes em espaço público;
- a presença de pessoas em situação de sem‑abrigo, que, segundo a associação, agrava a sensação de desordem urbana.
Manuel Lopes considera que estes factores «dão origem à insegurança» e apelou às autoridades para que protejam «a nossa histórica Baixa», defendendo que o património cultural, comercial e histórico da zona deve ser preservado e protegido.
Pedidos concretos às autoridades
A ADBP reclama medidas concretas a curto prazo. Para clarificar estes pedidos, a associação dirigiu‑os formalmente às instâncias responsáveis — Governo e Câmara Municipal — frisando que as promessas de intervenção não têm, até à data, correspondido às necessidades sentidas por comerciantes e visitantes.
| Pedido | Destinatário |
|---|---|
| Reforço do policiamento na Baixa | Ministério da Administração Interna / PSP |
| Instalação de videovigilância | Câmara Municipal de Lisboa / autoridades competentes |
Contexto local e reações
Esta nova chamada de atenção da ADBP ocorre num momento em que a Baixa continua a receber um fluxo importante de turistas e mantém uma vocação comercial intensa. Comerciantes e responsáveis associativos repetem que, apesar da área ser tradicionalmente considerada segura, a combinação de pequenos crimes, de situações de toxicodependência e da visível presença de sem‑abrigo tem vindo a alterar a perceção pública.
Até ao momento, as autoridades não divulgaram um posicionamento oficial em resposta à carta pública da ADBP. A associação afirma ter comunicado de forma contínua com as entidades competentes e reafirma que continuará a denunciar «bem alto» a necessidade de proteção desta parte da cidade.
Para os residentes e comerciantes da Baixa, a exigência é simples e imediata: mais visibilidade da autoridade no terreno e recursos tecnológicos que ajudem à prevenção e investigação de crimes. A discussão sobre medidas estruturais — desde políticas de integração social a estratégias de gestão urbana — permanece, porém, por desenvolver num diálogo público mais amplo entre o município, o Governo e as associações locais.
Na prática, a expectativa deixada pela ADBP é que as promessas de reforço da segurança se traduzam rapidamente em medidas tangíveis, capazes de inverter a perceção negativa e de proteger tanto o património quanto a atividade comercial que dão vida à Baixa de Lisboa.